Apuração envolve etapas distintas da Polícia Civil e da aviação, com foco inicial na análise técnica das causas do acidente
A investigação sobre a queda do avião monomotor que deixou quatro mortosem Capão da Canoa, na última sexta-feira, entra agora em uma fase que envolve a coleta de depoimentos e, principalmente, a espera por análises técnicas detalhadas.
O trabalho ocorre em duas frentes distintas. A policial é conduzida pela Polícia Civildo Rio Grande do Sul, enquanto a aeronáutica está sob responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Segundo o delegado responsável pelo caso, Marco Swirski, já acontece a investigação para apurar as circunstâncias do acidente. No entanto, neste momento, o foco principal está na apuração técnica. “Já há um inquérito policial instaurado para a apuração dos fatos. Porém, no momento, a prioridade é a apuração técnica do evento, que vai indicar qual causa, ou causas, que levaram ao acidente”, afirmou.
Ele destaca que eventuais responsabilizações criminais dependem diretamente dessas conclusões. “Somente com os laudos e análises concluídos é que será possível avaliar eventuais responsabilidades penais”, completou Swirski.
Enquanto espera pelos laudos que serão fornecidos pelo Cenipa, a Polícia Civil já iniciou outras etapas da investigação. “Já estamos trabalhando com oitivas e colheita de elementos de informação”, disse o delegado.
O prazo padrão de um inquérito é de 30 dias, mas, neste caso, a tendência é de que a apuração se estenda por mais tempo, dada a complexidade do caso e o tempo necessário para que a perícia técnica fique pronta. “Provavelmente irá demorar mais até uma conclusão, até pela necessidade da elaboração inicial da perícia técnica”, explicou.
Nos acidentes aéreos, a apuração técnica conduzida pelo Cenipa tem caráter preventivo e não punitivo. O objetivo é identificar fatores que contribuíram para o acidente, como falhas humanas, condições operacionais ou aspectos mecânicos, visando evitar novas ocorrências. Esse relatório é considerado peça-chave também para a investigação criminal.
Já a Polícia Civil trabalha na apuração de eventuais responsabilidades penais, como negligência ou imperícia, mas depende dos elementos técnicos para avançar. As duas investigações ocorrem de forma paralela e complementar, mas com finalidades distintas.
No caso de Capão da Canoa, uma das linhas iniciais aponta que a aeronave não utilizou toda a extensão da pista para decolagem, o que pode ter comprometido o ganho de velocidade. Essa hipótese, no entanto, ainda será confirmada ou descartada pelas análises do Cenipa.
Velórios e despedidas
As vítimas da queda foram veladas ao longo do fim de semana em diferentes cidades. O casal de empresários Luis Antonio Ortolani e Déborah Belanda Ortolani teve despedida realizada em Capão da Canoa na manhã de domingo.
O engenheiro de produção Renan Eduardo Dahrouge Saes, sócio-proprietário da Peluzzi Aviation, foi velado em Itápolis (SP), com sepultamento no Cemitério Municipal da cidade.
Já o piloto Nelio Pessanha foi velado no sábado à noite, no Hangar 4 do Aeroclube Peluzzi Aviation. O sepultamento ocorreu em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.
A queda do avião ocorreu logo após a decolagem e atingiu um restaurante que estava fechado para reformas. As causas do acidente seguem sendo apuradas.
O acidente
A aeronave caiu às 10h38min de sexta-feira, logo após a decolagem. O avião atingiu o restaurante Dom Inácio, na avenida Valdomiro Cândido dos Reis, bairro Santa Luzia. O estabelecimento estava fechado para reformas e não houve vítimas em solo.
De acordo com as apurações preliminares, a aeronave (prefixo PS-RBK, modelo Piper JetPROP DLX) utilizou a taxiway para ingressar na pista, mas não utilizou a cabeceira integralmente, deixando de aproveitar cerca de 150 metros da pista principal.
Em razão disso, o piloto teria tentado ganhar velocidade na área de escape. A hipótese principal é que o avião não atingiu a velocidade de sustentação adequada, resultando na queda. Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), seguem apurando as causas do sinistro.
Informações do Correio do Povo
Foto: Alina Souza







