Levantamento da Serasa Experian mostra que quase 2,5 mil empresas entraram na Justiça para renegociar dívidas
A metodologia também separa os processos realizados ao longo do ano e a quantidade de CNPJs em recuperação judicial. Isso porque, em uma única ação, pode estar incluída mais de uma empresa.
Assim, a quantidade de processos também avançou em 2025 para 977, alta de 5,5%, o que revela uma média de 53 recuperações judiciais por mês. Pela ótica dos CNPJs, 103 empresas entraram em RJ mensalmente.
Analistas explicam que a taxa de juros elevada e um crédito mais seletivo são os principais fatores que asfixiam o caixa das empresas. Um levantamento mostrou que o endividamento apenas das empresas de capital aberto no Brasil já alcança R$ 2,3 trilhões.
Dentre os segmentos, a Agropecuária se destacou com 30,1% (743 empresas) que buscaram pela recuperação judicial, seguido pelo setor de Serviços com 30% (739). Em seguida, vieram Comércio (21,7%; 535 CNPJs) e Indústria (18,2%; 449 empresas).
Na comparação com 2024, houve avanço nas RJs do setor Agropecuário de 3,8 pontos percentuais, enquanto serviços teve leve alta de 0,6%. Comércio e Indústria registraram perdas de 2,4 p.p e 2 p.p, respectivamente.
No acumulado de 2012 a 2025, Agropecuária saltou de 1,3% para 30,1%, enquanto Comércio e Indústria registraram queda de 9,5% e 16,2%, respectivamente. Serviços manteve participação próxima, de 33,1% para 30,0%.
“A agropecuária opera sob um conjunto de riscos climáticos e biológicos. Isso se soma a choques de preços de commodities, insumos dolarizados como, fertilizantes e defensivos, exposição cambial e um ciclo financeiro mais longo de safra–entressafra. Isso amplifica a volatilidade de receita e caixa, tornando a recuperação judicial um instrumento para preservar operação e emprego”, explicou Camila Abdelmalack, economista-chefe do Serasa Experian.
Inadimplência alta e pedidos de falência
Outro dado relevante é o número de empresas inadimplentes em janeiro de 2026: 8,7 milhões de CNPJs negativados, com dívida média de R$ 23.138,40 e cerca de 7 restrições por CNPJ negativado.
“Em geral, a inadimplência costuma anteceder os movimentos de recuperação judicial, o que nos deixa em estado de alerta para as próximas leituras”, afirmou a economista-chefe.
Os pedidos de falência, no entanto, registraram queda. Segundo os dados, em 2025 foram registrados 698 CNPJs com pedidos de falência, recuo de 19% na comparação com 2024. O total de 2025 também permanece muito abaixo de 2012 (1.810 CNPJs), baixa de 61% no período de 13 anos.
Informações da CNN Brasil
Foto: CNN Brasil/Divulgação







