Presidente da Colômbia afirmou que Jorge Glas, preso por corrupção, é um preso político
O Equador chamou para consultas seu embaixador na Colômbia após declarações do presidente Gustavo Petro, que classificou o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, preso por corrupção, como um “preso político”, anunciou Quito nesta quarta-feira (08). Em meio a uma guerra tarifária, os países vizinhos atravessam uma de suas piores crises diplomáticas.
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, denuncia uma gestão deficiente da Colômbia no combate à guerrilha e ao crime organizado na fronteira comum. A tensão bilateral aumentou com recentes reclamações da Colômbia sobre um explosivo encontrado em seu território após um bombardeio militar com apoio dos Estados Unidos no lado equatoriano da zona de fronteira.
O embaixador equatoriano em Bogotá, Arturo Félix, “estará chegando hoje ou amanhã” ao Equador, disse nesta quarta-feira a chanceler Gabriela Sommerfeld à rádio Centro, depois que seu gabinete apresentou um “protesto enérgico” por considerar que Petro atenta contra o princípio de não intervenção em assuntos internos. O presidente colombiano afirmou em várias ocasiões que Jorge Glas, a quem concedeu a nacionalidade colombiana, é um “preso político” do governo de Noboa e pediu na segunda-feira na rede social X sua libertação.
Ingerência
O Equador toma “decisões para demonstrar” o “protesto enérgico” que apresenta à Colômbia pelos “termos em que o presidente Petro se refere e pela ingerência sobre decisões de diferentes instâncias do Estado equatoriano”, afirmou Sommerfeld. A ministra considerou que “há uma provocação (ao Equador) porque, do nada, surgem esse tipo de mensagens” por parte de Petro.
“Tentamos manter uma relação de vizinhança cordial”, acrescentou. Mas “isso não elimina a responsabilidade do Equador de exigir” que a Colômbia trate de questões de segurança e controle fronteiriço. Segundo a chancelaria equatoriana, as “declarações falsas” de Petro “contribuem para deteriorar o estado das relações diplomáticas”.
Glas, que foi vice do ex-presidente de esquerda Rafael Correa entre 2013 e 2017, “não é um perseguido político, mas um condenado pela justiça equatoriana após processos legítimos”, afirmou. “Agora que tentam reinventar o “preso político”, quero ser enfático: isso constitui um atentado contra nossa soberania e uma violação ao princípio de não intervenção”, disse Noboa na terça-feira na rede social X, sem se referir diretamente a Petro.
Glas “é um cidadão colombiano e é um preso político. Solicito aos organismos internacionais de direitos humanos que zelem por seus direitos”, respondeu Petro.
Combate ao narcotráfico
A chancelaria afirmou que “o Equador exige o cessar imediato de declarações que violam sua soberania”. Também destacou que “exige um compromisso real da Colômbia para fortalecer a vigilância fronteiriça, combatendo de forma eficaz o narcotráfico em vez de interferir nas decisões da justiça” equatoriana.
Ambos os países impuseram em fevereiro tarifas mútuas de 30% depois que Quito acusou Bogotá de uma gestão deficiente no combate à guerrilha e ao crime organizado nos 600 quilômetros de fronteira comum. Pelo Equador, em guerra contra o crime organizado, passa 70% da cocaína da Colômbia e do Peru, principais produtores mundiais da droga.
A quatro meses de deixar a presidência e sem possibilidade de reeleição, Petro busca manter a esquerda governista no poder, favorita nas eleições de maio.
Informações do Correio do Povo
Foto: Martin Bernetti / AFP / CP






