Post: Parentes entram no mercado da família Aguiar pela 1ª vez após desaparecimento no RS e encontram alimentos podres, ratos e baratas

Há 75 dias, em 24 de janeiro, Silvana Aguiar desapareceu. Os pais dela, Isail Aguiar e Dalmira Aguiar, sumiram no dia seguinte. Polícia ainda investiga o crime. Principal suspeito é o policial militar Cristiano Domingues Francisco, que está preso

 

Familiares de Silvana Germann de Aguiar, Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar, desaparecidos há 75 dias, tiveram acesso ao minimercado e às casas da família nesta semana. A Justiça autorizou os parentes a realizarem a limpeza e retirada de produtos fora da validade.

A ação foi acompanhada por agentes da Polícia Civil na última terça-feira (7). Foram encontrados alimentos podres no local, onde também havia ratos e baratas.

“A magistrada da Vara de Família deferiu a entrega das chaves da casa da Silvana e do mercado Aguiar para junto com familiares retirar eletrodomésticos das tomadas, retirar perecíveis e produtos já apodrecidos e apodrecendo como verduras, ovos, etc”, diz o advogado Gilmar Souza de Vargas. Segundo ele, as chaves já foram devolvidas ao judiciário.

As casas e o estabelecimento estavam fechados desde o final de janeiro. O único que tinha acesso à casa de Silvana era o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido da mulher. O homem é o principal suspeitos dos desaparecimentos. Ele está preso desde o dia 10 de fevereiro.

O inquérito da Polícia Civil está na fase final e deve ser concluído ainda no mês de abril. O PM prestou depoimento nesta segunda-feira (6). Na oitiva, ele voltou a ficar em silêncio durante as 2h30.

Feminicídio e desavenças na criação do filho

Os investigadores veem como remotas as chances de encontrar Silvana e os pais com vida. O crime é tratado como feminicídio (Silvana) e duplo homicídio (idosos). Buscas chegaram a ser feitas em Cachoeirinha e em cidades vizinhas, mas os corpos não foram encontrados.

A polícia acredita que a ação do PM teria sido motivada por desavenças com a ex em relação à criação do filho. O menino passava o final de semana com o pai e estava na casa dele quando a mãe sumiu. Desde que Cristiano foi preso, ele está sob cuidados da avó paterna.

Duas semanas antes do desaparecimento, Silvana procurou o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com o filho, que teria restrições alimentares.

“A gente tem já na investigação formalizada que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho”, afirma o delegado Anderson Spier.

Outra possível motivação para o crime seria financeira. De acordo com o delegado, a família Aguiar tinha bens. “Envolvia imóveis, casas de aluguel, apartamentos de aluguel. E a gente sabe que em caso da morte da Silvana e dos pais dela, todos esses bens, numa sucessão, posteriormente, viriam a se tornar propriedade do neto”, destaca Spier.

Novos investigados

No final de março, três pessoas, ligadas ao policial militar, passaram à condição de suspeitas, pois estariam atrapalhando as investigações.

Conforme o delegado, uma parente de Cristiano é investigada por apagar dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem (espaço de armazenamento online). Profissional da área de TI, ela é suspeita de fraude processual.

Ainda segundo o delegado, um homem, familiar do PM, teria deletado imagens de câmeras da casa onde mora a mãe de Cristiano. Ele também é suspeito de fraude processual.

Ainda, uma terceira pessoa próxima do PM é investigada por falso testemunho. Segundo o delegado, a pedido de uma familiar de Cristiano, o homem teria mentido em circunstâncias do depoimento, para dar falsos álibis ao principal suspeito.

O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, diz que segue atuando no caso e acompanhando o cliente. Ele destaca que aguarda a conclusão do inquérito policial para se manifestar.

Informações do Portal G1 RS
Foto: Arquivo pessoal

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