Bombardeios deixam mais de 250 mortos, aumentam tensão com o Irã e colocam trégua em risco
Israel voltou a bombardear o Líbano nesta quinta-feira (9), aumentando o risco de colapso do cessar-fogo no Oriente Médio. Os ataques mais intensos até agora já deixaram mais de 250 mortos e ameaçam derrubar a trégua anunciada por Donald Trump logo no início.
Autoridades iranianas devem viajar ainda hoje ao Paquistão para as primeiras negociações de paz da guerra. Lá, devem se reunir no sábado com uma delegação liderada pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance.
Mesmo assim, não há sinais de que o Irã tenha liberado o Estreito de Ormuz, cujo bloqueio provocou a maior crise de abastecimento de energia da história. Teerã afirmou que não aceitará qualquer acordo enquanto Israel continuar atacando o Líbano.
Com a escassez, o preço do petróleo físico disparou: refinarias na Europa e na Ásia estão pagando perto de R$ 750 por barril (cerca de US$ 150), com alguns derivados, como combustível de aviação, custando ainda mais.
Israel, que invadiu o Líbano no mês passado em paralelo ao conflito com o Irã para combater o Hezbollah, aliado de Teerã, afirma que essas operações não fazem parte do cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos.
Os EUA também dizem que o Líbano não está incluído no acordo, mas Irã e Paquistão, que atuou como mediador, afirmam o contrário. Vários países, como Reino Unido e França, defendem que a trégua deveria abranger o território libanês e criticaram os ataques israelenses.
Israel diz ter matado sobrinho de chefe do Hezbollah
Israel afirmou ter matado um parente próximo do líder do Hezbollah, Naim Qassem, que atuava como seu secretário pessoal, além de atingir rotas usadas pelo grupo.
Os bombardeios atingiram áreas densamente povoadas, incluindo a periferia de Beirute, sem aviso prévio para evacuação. Equipes de resgate passaram a noite tentando salvar pessoas presas sob os escombros.
Moradores relatam destruição total. “Vivi aqui por mais de 50 anos. Agora não sobrou nada”, disse um residente de Beirute.
Luto por Khamenei
No Irã, multidões foram às ruas para marcar 40 dias da morte do líder supremo Ali Khamenei, morto no início da guerra. O governo tem apresentado a interrupção dos ataques como uma vitória política.
Enquanto isso, o mercado global de energia segue sob pressão. Embora os preços futuros do petróleo tenham recuado com a expectativa de retomada do fornecimento, o petróleo disponível imediatamente ficou muito mais caro, com cerca de 20% da oferta global comprometida por semanas.
Preços de petróleo disparam
Trump voltou a ameaçar o Irã, dizendo que, se o país não cumprir as exigências, haverá novos ataques ainda mais intensos.
Apesar de declarar vitória, os Estados Unidos não atingiram seus principais objetivos: enfraquecer o poder militar do Irã, acabar com seu programa nuclear ou provocar mudanças internas no país.
O Irã ainda mantém capacidade militar relevante, incluindo mísseis, drones e mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido. Além disso, demonstrou conseguir pressionar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o comércio mundial.
No fim das contas, os principais impasses continuam sem solução, e o futuro da região segue incerto.
Informações da CNN Brasil
Foto: Chris McGrath/Getty Images







