França contesta acordo UE–Mercosul e pede adiamento para reforçar salvaguardas à agricultura europeia

França contesta acordo UE–Mercosul e pede adiamento para reforçar salvaguardas à agricultura europeia

A França manifestou forte oposição ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul — que envolve Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — afirmando que o texto atual não atende aos interesses europeus. Em comunicado divulgado no domingo, dia 15, o governo francês destacou que a agricultura e a proteção do consumidor não podem ser “sacrificadas” em nome das negociações comerciais. Segundo o posicionamento francês, os avanços alcançados até agora são considerados insuficientes e ainda precisam ser concluídos, detalhados e implementados de forma operacional, robusta e eficaz, para que seus impactos reais possam ser devidamente avaliados.

A França também defende o adiamento do prazo previsto para dezembro, argumentando que o bloco europeu necessita de mais tempo para garantir salvaguardas consideradas legítimas para proteger os agricultores da UE, especialmente diante da concorrência de produtos agrícolas sul-americanos. A preocupação central está relacionada ao risco de aumento das importações de itens como carne bovina e aves a preços mais baixos, o que poderia pressionar o mercado interno e reduzir a renda dos produtores europeus.

Apesar dessa pressão, a Comissão Europeia — braço executivo da UE responsável pela elaboração e implementação das políticas do bloco — afirmou, por meio de um porta-voz, que ainda trabalha com a expectativa de assinar formalmente o acordo até o final do ano. O tema ganha relevância adicional no contexto da cúpula de fim de ano da União Europeia, na qual os líderes dos 27 Estados-membros discutirão assuntos estratégicos que vão desde o orçamento do bloco até a guerra na Ucrânia e as tensões globais relacionadas à política econômica.

Em uma tentativa de reduzir as resistências internas, a Comissão Europeia já havia anunciado, em outubro, propostas para reforçar a proteção ao setor agrícola europeu. Entre as medidas sugeridas estão o monitoramento contínuo das tendências de mercado relacionadas às importações do Mercosul, a criação de mecanismos de resposta rápida em caso de aumento significativo de produtos mais baratos vindos da América do Sul e a abertura de investigações sempre que houver indícios de queda nos preços domésticos ou prejuízos aos produtores locais. Essas iniciativas buscam equilibrar a abertura comercial com a preservação dos interesses econômicos e sociais do setor agrícola da União Europeia.

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