Post: Governo do Estado realiza simulado inédito de deslizamento de terra e testa resposta integrada em Bento Gonçalves

Exercício mobilizou cerca de 450 profissionais e colocou em prática protocolos adotados após a inundação histórica de 2024

 

O governo do Estado realizou, nesta quarta-feira (6/5), um exercício simulado de deslizamento de terra no Bairro Zatt, em Bento Gonçalves. A ação, coordenada pela Defesa Civil Estadual, reuniu cerca de 450 profissionais, com o objetivo de testar, em tempo real, os protocolos de resposta a desastres naturais. Foi a primeira vez que o Rio Grande do Sul promoveu uma mobilização dessa magnitude.

O exercício integrou as ações nas esferas municipal, estadual e federal voltadas ao fortalecimento da prevenção e resposta a desastres, especialmente após a inundação histórica de 2024. O simulado reproduziu a realidade, envolvendo desde a emissão de alertas meteorológicos até o resgate de vítimas.

Ao longo da atividade, foram acionados helicópteros, ambulâncias e viaturas, além do uso de cães farejadores e maquinário pesado. Foram empregadas três aeronaves e mais de 100 veículos. Manequins representaram vítimas soterradas, enquanto moradores e figurantes participaram como desaparecidos e feridos, o que exigiu resposta coordenada das equipes.

A inclusão de mortos, feridos e desaparecidos no exercício foi importante para testar a capacidade de resposta do Estado em diferentes situações, contemplando procedimentos para identificação de corpos e operações de busca e salvamento.

Vídeo: 3ª Cia Bombeiros Militares de Bento Gonçalves

Ação permite testar protocolos e comunicação de risco

De acordo com o chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, a iniciativa permitiu avaliar a atuação interinstitucional e apresentou resultado bastante satisfatório. “Estamos trabalhando, cada vez mais, a nossa preparação. O exercício envolveu várias instituições e atores dos três entes federativos – município, Estado e União. Assim, testamos a nossa capacidade de coordenação. Quando realizamos um exercício desta dimensão, temos o objetivo de avaliar a capacidade operacional de todos os atores, identificar se tudo aquilo que está previsto nos planos das instituições está de fato ocorrendo e testar a comunicação de risco. Ao avaliar o desenrolar do exercício, o resultado foi muito positivo”, afirmou.

Boeira comentou, também, o fortalecimento da Defesa Civil após o evento extremo de 2024. “A Defesa Civil do Rio Grande do Sul está muito mais preparada para eventos extremos. Atualmente, temos uma Defesa Civil pelo menos quatro vezes maior do que aquela que enfrentou o desastre de 2024. Houve aumento do efetivo e estamos estruturando projetos que colocam o órgão na vanguarda da gestão de riscos e desastres no Estado e no Brasil. Contratamos mais servidores, adquirimos radares meteorológicos e estações hidrometeorológicas, renovamos a frota e realizamos investimentos em modelos hidrológico e hidrodinâmico, que não tínhamos anteriormente. Em breve, teremos, também, o Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres (Cegird), entre outros projetos que estão em andamento”, relatou.

Além da Defesa Civil, participaram da mobilização, no âmbito estadual, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Civil, Instituto-Geral de Perícias, as secretarias de Desenvolvimento Social, da Saúde, da Educação e de Comunicação e, ainda, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental. Na esfera municipal, o evento contou com a atuação da  Prefeitura de Bento Gonçalves. E, na esfera federal, estiveram envolvidos o Exército Brasileiro e a Agência Nacional de Telecomunicações.

Também fizeram parte do exercício as empresas concessionárias dos serviços de água e energia local, a CPFL e Corsan. A ação contou ainda com o apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, da Organização Internacional para as Migrações, da Cruz Vermelha e do Instituto Cultural Floresta.

Simulado na prática 

No contexto da simulação, o deslizamento foi causado por fortes chuvas que teriam atingido Bento Gonçalves nos últimos dias, deixando o solo encharcado e propenso a deslizamentos. Durante a manhã, antes da ocorrência da movimentação de massa propriamente dita, houve diversas reuniões preparatórias e a emissão de avisos meteorológicos, inclusive via cell broadcast.

Foto: João Pedro Rodrigues/Secom

Casas teriam sido atingidas, deixando mortos, feridos e desaparecidos. A operação incluiu a instalação de um Gabinete Integrado de Gestão de Desastres, a evacuação da área afetada, além da criação de corredores para circulação de ambulâncias e acesso a hospitais. As buscas foram realizadas com cães farejadores e helicópteros. Pessoas foram salvas com a ajuda das aeronaves.

Um abrigo foi montado no Ginásio de Esportes Ivo Chies, no Bairro Zatt, onde pessoas foram acolhidas de forma emergencial. Também foram simuladas situações críticas, como a interrupção de serviços essenciais — energia elétrica, água e telefonia.

Vídeo: 3ª Cia Bombeiros Militares de Bento Gonçalves

A rede hospitalar foi preparada para receber os feridos, e servidores do Instituto-Geral de Perícias e da Polícia Civil atuaram para agilizar a identificação dos corpos, o registro dos boletins de desaparecimento e as diligências necessárias. Em diferentes frentes, equipes simularam problemas típicos de suas áreas de atuação.

Foto: João Pedro Rodrigues/Secom

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