Post: Sala de Exposições do Ordovás recebe mostra “Gravura: a democratização da arte através da reprodutibilidade” com obras do AMARP

Exposição com curadoria de Jacks Ricardo Selistre reúne diferentes técnicas e artistas da gravura contemporânea e moderna

 

A Sala de Exposições do Centro de Cultura Ordovás recebe, a partir do dia 15 de maio, a exposição “Gravura: a democratização da arte através da reprodutibilidade”, contando com obras do Acervo Municipal de Artes de Caxias do Sul. A exposição conta com a curadoria de Jacks Ricardo Selistre e tem visitação gratuita até o dia 14 de junho, integrando a programação nacional do IBRAM da Semana dos Museus.

A gravura é uma linguagem artística que se destaca pelo seu caráter múltiplo, que subverte o imaginário popular em torno da obra de arte única. A reprodutibilidade e a multiplicidade das obras são decorrentes de um processo técnico de produção da imagem, a qual é realizada sobre uma matriz e, posteriormente, transferida de forma artesanal para o papel. O resultado são obras de arte múltiplas e originais, numeradas e assinadas à mão pelo/a artista. As matrizes são superfícies planas de madeira, metal, tecido ou pedra calcária, sobre as quais os artistas constroem as imagens através de entalhes, incisões, emulsões e desenhos com materiais gordurosos.

Por sua natureza técnica e conceitual, cada exemplar de uma gravura é, simultaneamente, original e reprodução, uma dualidade que desafia e tensiona os limites entre unicidade e multiplicidade. Essa característica intrínseca da gravura não apenas rompe com o ideal de exclusividade que historicamente permeou o campo das artes visuais, como também democratiza o acesso à arte, uma vez que amplia seu alcance para além dos espaços elitizados e restritos. Devido à reprodutibilidade da gravura, a arte se insere no meio de circulação e compartilhamento de ideias, imagens e sensibilidades, contribuindo para uma experiência estética mais plural e acessível. Nesse sentido, ela não apenas reproduz formas, mas também multiplica possibilidades de encontro entre a obra e o público, subvertendo hierarquias e expandindo os limites da fruição artística.

A reprodutibilidade técnica, amplamente discutida por Walter Benjamin, rompe com os limites do sistema de exclusividade impostos à obra única, cuja circulação é restringida pela unicidade, pelo elevado valor financeiro e pela lógica da posse do colecionismo predatório, modalidade de aquisição agressiva e massiva de obras de arte. Ao multiplicar a imagem, a reprodução permite que obras tradicionalmente confinadas em grandes museus, galerias e coleções privadas transitem por espaços antes inacessíveis: pequenas instituições culturais de cidades do interior, centros comunitários, escolas ou acervos de jovens colecionadores. Assim, as obras passam a integrar um campo mais diverso, contemplando públicos distintos e desvinculando-se do regime de propriedade e exclusividade que as associa ao prestígio e à distinção social.

Através da produção de múltiplos, as obras passam a integrar circuitos ampliados de recepção, nos quais a presença de obras únicas seria inviável. Fora dos espaços elitizados, ela se aproxima de outros segmentos sociais, contribuindo para a democratização da experiência estética e para a transformação da relação entre arte e sociedade, ao promover novas formas de fruição e participação cultural. Trata-se, portanto, de um processo que não apenas amplia a difusão da arte, mas reconfigura as condições históricas da percepção e da recepção artística, tornando a arte menos restritiva e excludente ao alcançar um público ainda mais plural.

A exposição apresenta audiodescrição das obras, da expografia do espaço expositivo, apresentação em LIBRAS, tem classificação indicativa livre e poderá ser visitada às segundas-feiras, das 9h às 16h; terças a sextas-feiras, das 9h às 22h; sábados, domingos e feriados, das 14h às 22h.

Serviço:

Exposição “Gravura: a democratização da arte através da reprodutibilidade”, com obras do AMARP e curadoria de Jacks Ricardo Selistre

Período: 15 de maio a 14 de junho
Local: Sala de Exposições do Centro de Cultura Ordovás
Visitação: segundas-feiras, das 9h às 16h; terças a sextas-feiras, das 9h às 22h; sábados, domingos e feriados, das 14h às 22h.
Visitação online: artesvisuais.caxias.rs.gov.br
Atividade presencial e online, gratuita.
Classificação Indicativa: Livre

Artistas: Ana Maria Vergamini, Antonio Henrique do Amaral, Arlete Santarosa, Armando Almeida, Bea Balen Susin, Carlos Vergara, Clara Koppe, Claudio Tozzi, David Ceccon, Diana Domingues, Eduardo Haesbaert, Francisco Stockinger, Gelson Soares, Glauco Rodrigues, Juventino Dal Bó, Mara Beatriz Caruso, Mara de Carli Santos, Maria Helena Wagner Rossi, Marilice Corona, Odilza Michelon, Paulo Chimendes, Rafael Pagatini, Regina Silveira, Renina Katz, Siron Franco, Umbelina Barreto, Valdir dos Santos, Vasco Prado, Zoravia Bettiol.

Foto: Maria Beatriz Caruso / Divulgação

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