Um debate qualificado sobre os rumos do país marcou a segunda edição do Giro pelo Rio Grande, realizado nesta segunda-feira (18.05), no Sindilojas Farroupilha. O tradicional evento, promovido pelo Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, trouxe reflexões sobre os desafios e oportunidades do Brasil.
Para o presidente do Sindilojas Farroupilha, Cladir Bono, o encontro é um momento importante de reflexão e troca de ideias sobre o futuro do Brasil. “É uma honra sediarmos o Giro pelo Rio Grande e, também, gostaria de agradecer ao presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, pelo importante trabalho em defesa do comércio, dos serviços e do empreendedorismo. Vivemos um contexto de transformações e promover uma discussão qualificada é uma forma de preparar as nossas lideranças para os desafios que estão por vir”.
Luiz Carlos Bohn destacou o significado do encontro em um ano em que o País se prepara para escolhas decisivas. “2026 é um ano de decisão. O Brasil irá às urnas decidir seus governantes e essas escolhas terão consequências para a economia, para o ambiente de negócios e para a qualidade de vida da população. A Fecomércio tem atuado com firmeza em defesa do desenvolvimento das pessoas e do ambiente de negócios. Essa não é uma pauta partidária — é uma pauta de estado”.
O prefeito de Farroupilha, Jonas Tomazini, esteve presente e reiterou a importância de eventos como este para qualificar o debate e refletir sobre as escolhas para os próximos anos, além de mencionar o desenvolvimento e potencial do município. “A gente tem buscado trabalhar todos os dias para continuar sendo uma terra de oportunidades e de conquistas”.
Com o tema “Brasil em decisão: política, economia e os caminhos para 2026”, o cientista político Fernando Schüler, professor e pesquisador do Insper, e o economista Marcelo Portugal, professor titular da Ufrgs, mediados pelo jornalista Guilherme Baumhardt, falaram sobre as transformações políticas e econômicas do País.
Inicialmente, Portugal citou o receio do Brasil não evoluir da forma que precisa, citando o exemplo do Chile que, nos últimos 30 anos, cresceu muito. “O Chile tem o maior PIB per capita da América Latina, a menor taxa de mortalidade infantil, entre outros indicadores de desenvolvimento. O ponto central é que temos que crescer mais. Estagnamos desde a redemocratização, porque pensamos apenas em distribuir e não gerar riqueza”. Para o economista, o principal desafio é reacelerar o crescimento. “Não vamos andar para trás, mas corremos o risco de ficarmos relativamente mais pobres, porque estamos andando para frente em um ritmo muito menor do que deveríamos”.
Para o cientista político, Fernando Schüler, o problema é que muitos países crescem numa velocidade mais rápida e o Brasil vai ficando para trás. “Temoz vários ‘Brasis’ dentro do Brasil. As regiões andam de forma diferente”.
Schüler citou um estudo do economista Pedro Fernandes Nery. O levantamento aponta que se o País não fizer reformas importantes, como muitas já feitas (trabalhista, da previdência), em 25 anos chegaremos a uma carga tributária de 42.8%. “A população está envelhecendo. É bom, mas é um desafio. Os gastos com saúde e previdência social aumentam, além do problema com a produtividade. O Brasil precisa encarar reformas difíceis”. Outro ponto abordado foi a disputa entre uma parte mais preocupada com a produtividade e com o crescimento, e uma outra parcela que tem a ilusão do distributivismo. “Não adianta você investir no distributivismo, se não tiver o que distribuir”.
Sobre o projeto que extingue escala 6×1, os painelistas concordam que a medida acarretará um aumento dos custos. “O único jeito de reduzir a jornada de trabalho, é aumentar a produtividade”. Para concluir, os participantes falaram sobre as privatizações, dando exemplos de sucesso como a Embraer, a Vale, entre outras.
O Giro pelo Rio Grande tem percorrido diferentes regiões do estado, fomentando o diálogo e a reflexão sobre temas estratégicos para a sociedade e o desenvolvimento econômico. A próxima edição acontecerá na cidade de Santiago, no dia 25 de junho.
Informações da Fecomércio RS
Foto: Carlos Hugo






