Documentário percorre a dimensão e repercussão no cenário cultural local e da região por meio da atuação da Abadá Capoeira
Base da identidade nacional, a capoeira em Bento Gonçalves ganhou mais espaço e força às portas do século XXI com a criação da Associação Bentogonçalvense de Capoeira que vem desenvolvendo trabalho de difusão, de acesso e de pertencimento nos quinze anos de atuação.
Seu campo irradia para 19 outros municípios com metodologia de ensino progressivo, social e cultural, desta prática ancestral que simboliza resistência, pois é oriunda de escravizados negros africanos que criaram essa expressão que mistura esporte, arte marcial e dança.
O papel da Abadá-Capoeira desempenhado foi um divisor de águas e esse feito será comemorado por meio do documentário “Ginga Bento Gonçalves: A História da Arte Capoeira”, projeto contemplado pelo Edital LPG tendo recebido o valor de R$ 80 mil, que tem contrapartidas oficinas em instituições escolares ou assistenciais. A estreia do média-metragem está prevista para julho.
Sob as lentes da Âncora Produções, Ginga percorre a dimensão e repercussão no cenário cultural e social local e regional. A narrativa aborda o surgimento, os povos escravizados, seu amadurecimento em território brasileiro, difusão pelo mundo e na Capital Brasileira do Vinho e região, além de questões técnicas como o jogo deste Patrimônio Universal, manuseio e toques de instrumentos, acrobacias, conceitos marciais, entre outros assuntos.
A Abadá Bento Gonçalves alcançou mais de 10 mil pessoas ao longo dos anos, e, hoje, tem mais de 2 mil praticando dentro de escolas, projetos, associações, salões de bairros e academias com equipe de 20 capoeiristas. O documentário traz esse painel que cada vez mais tem adeptos e transforma as realidades.
Nesta caminhada, temos a figura central de Luan Lucas de Barba, conhecido como Mestre Cordilheira, onde sua história de vida e da Abadá se confundem, se misturam. Dos treinos aos 11 anos até a construção do legado, Luan desafiou padrões.
“Nossa região é muito italiana e tivemos muitos preconceitos: era coisa de vagabundo, desocupado. Quando falei para minha família que ia ser professor de capoeira, foi um choque. Hoje, eles veem que o trabalho deu resultado e perceberam que era para a minha vida”, relembra Luan.
“Ginga Bento Gonçalves: A Historia da Arte Capoeira” abre espaços de protagonismo dentro da preservação da Cultura Popular Brasileira que contribui para as políticas públicas de igualdade racial, valorização da cultura afro-brasileira e dos tratados na lei 10.639/2003 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”.
Mas 2026 não vai parar por aí. A Abadá foi contemplada com recursos para dois projetos com pontuação de máxima no Edital de Pontos de Cultura do Estado do Rio Grande Sul da PNAB – Cultura Viva e primeiro lugar do Edital da Rede Municipal de Pontos e Pontões de Cultura de Bento Gonçalves/RS – Cultura Viva Do Tamanho Do Brasil e TCC do Edital da mesma área.
“O documentário Ginga escreve sua a história, o desenvolvimento, a apropriação e a incorporação da capoeira no nosso município, desde a alfabetização de sua técnica até a sua magnitude dos dias atuais. Seus protagonistas criaram espaços de transformação, de resistência e de vivências da cultura popular”, destaca o Secretário de Cultura Evandro Soares.
Foto: cenas do documentário por Âncora Produções







