Post: Semeadura da canola está quase concluída no RS

A semeadura da canola está em conclusão no Rio Grande do Sul e deve atingir uma área de 353.397 hectares, confirme estimativas iniciais da Emater/RS-Ascar.

O incremento esperado de aumento de área de 102,64% em relação aos 174.394 hectares cultivados em 2025 (IBGE) faz com que a canola se consolide como a principal cultura em expansão entre os cultivos de inverno na Safra 2026 no RS.

De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado nesta quinta-feira (25), as primeiras lavouras implantadas já ingressam na fase de florescimento, enquanto a maior parte das áreas apresenta adequado estabelecimento e uniformidade na emergência e no desenvolvimento vegetativo.

As condições climáticas têm favorecido a evolução da cultura da canola nas principais regiões produtoras, embora períodos de menor radiação solar e temperaturas mais baixas tenham reduzido o ritmo de crescimento em algumas áreas, sem reflexos expressivos sobre o potencial produtivo.

Os produtores realizam o manejo de plantas daninhas, a adubação nitrogenada em cobertura e o monitoramento fitossanitário. A produtividade média estadual está projetada em 1.619 kg/ha, resultando em produção estimada de 571.975 toneladas.

Trigo – A semeadura do trigo avançou na maior parte das regiões produtoras e alcança cerca de 70% da área projetada, favorecida pela redução dos volumes pluviométricos nas últimas semanas, embora áreas com elevada umidade do solo ainda apresentem ritmo mais lento.

As lavouras implantadas estão com bom estabelecimento e desenvolvimento vegetativo inicial, e emergência uniforme.

A cultura de trigo apresenta retração significativa da área a ser cultivada nesta safra no Estado. A estimativa da Emater/RS-Ascar projeta 814.220 hectares, redução aproximada de 30% em relação aos 1.166.163 hectares cultivados em 2025.

Apesar do recuo, o trigo permanece como o principal cereal de inverno do Estado. A produtividade média projetada é de 2.701 kg/ha, e produção estimada de 2,2 milhões de toneladas.

A redução da área cultivada é reflexo da combinação de menor rentabilidade, custos de produção elevados, restrições de crédito e maior percepção de risco climático para o ciclo de inverno.

Também se observa redução do nível tecnológico em parte das áreas, como racionalização do uso de insumos e maior utilização de sementes salvas.

Aveia-branca – A semeadura da aveia-branca está, em grande parte, concluída, com as lavouras em fase vegetativa e perfilhamento. Observa-se estande satisfatório e ausência de pragas ou doenças de maior expressão.

Para esta Safra 2026, a cultura mantém estabilidade de área, com estimativa de 387.697 hectares, representando variação negativa de 1,38% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média estadual está projetada em 2.322 kg/ha.

Cevada – A projeção da Emater/RS-Ascar aponta acentuada retração de área (-36,52%) nesta Safra 2026, sendo estimada em 20.320 hectares.

Na safra anterior foram implantados 32.010 hectares. Essa redução da área cultivada é observada nas principais regiões produtoras e reflete a menor intenção de investimento na cultura, em especial nas áreas tradicionalmente integradas à cadeia cervejeira.

Entre os fatores que influenciam essa decisão, destaca-se o aumento da percepção de risco climático associado ao El Niño e à ocorrência de precipitações durante o período de maturação e colheita.

Em razão da elevada sensibilidade dos grãos, há risco de comprometimento da qualidade tecnológica, podendo resultar na desclassificação da produção para fins de maltagem e no direcionamento do produto para mercados de menor valor agregado.

A Emater/RS-Ascar projeta uma produtividade média estadual de 3.020 kg/ha, e a expectativa de produção é de 61.369 toneladas

Apesar da retração, a implantação das lavouras de cevada evolui dentro da janela recomendada, estando concluída ou em fase final nas principais regiões produtoras.

As lavouras de cevada implantadas apresentam bom estabelecimento inicial, com emergência uniforme e sem registros de problemas fitossanitários.

Culturas de verão

Soja – A colheita de soja foi encerrada no Estado, restando frações de segunda safra, sem representatividade estatística na composição dos resultados estaduais.

Com a conclusão das operações, consolidam-se os efeitos da elevada variabilidade espacial das precipitações ao longo do ciclo, principal fator das diferenças expressivas de rendimento entre regiões, municípios e propriedades.

A produtividade média estadual da Safra 2025/2026 foi reavaliada pela Emater/RS-Ascar para 2.707 kg/ha, representando redução de 14,8% nos 3.180 kg/ha projetados antes do início do plantio.

A área plantada no Estado foi estimada em 6.697.172 hectares. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, os resultados evidenciam ampla variabilidade de produtividade da soja entre os municípios.

Em Santa Bárbara do Sul, por exemplo, houve elevados rendimentos, com produtividade média superior a 3.600 kg/ha.

Milho – A colheita de milho está tecnicamente encerrada. Restam áreas residuais, principalmente na Metade Sul, inferiores a 1% da área cultivada no Estado.

A produtividade estadual foi reestimada pela Emater/RS-Ascar em 7.362 kg/ha, mantendo-se praticamente estável em relação à projeção inicial de 7.376 kg/ha, realizada antes da implantação da cultura. A área cultivada alcançou 812.540 hectares.

Milho Silagem – A colheita está encerrada no Estado. A produtividade média de silagem para a Safra 2025/2026 foi reavaliada pela Emater/RS-Ascar em 36.878 kg/ha, representando redução de 3,8% nos 38.338 kg/ha projetados na ocasião do plantio. A área plantada foi estimada em 349.085 hectares.

Feijão 2ª Safra – A colheita de segunda safra foi concluída no Estado. A área cultivada foi reestimada em 9.818 hectares, representando retração de 45,7% em relação ao ciclo anterior.

A produtividade média estadual se consolidou em 1.414 kg/ha, levemente superior à projeção inicial de 1.401 kg/ha, indicando relativa estabilidade dos rendimentos diante do cenário de redução de área.

Ainda na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, o rendimento médio da área colhida foi de 1.604 kg/ha, devido a alguns danos ocasionados por geada no período vegetativo e reprodutivo da cultura.

Frutícolas

Citros – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, os pomares se encontram em bom estado geral, com produtividade bastante variável entre as propriedades.

Os citricultores realizaram tratamentos fitossanitários e adubações de cobertura. As plantas de cobertura do solo, como aveia e azevém, encontram-se em desenvolvimento. As variedades precoces de citros estão em colheita, embora a comercialização seja considerada baixa pelos comerciantes.

Já na região de Erechim, a previsão de produtividade para 2026 está na média de 32 t/ha. Algumas variedades de laranja iniciam o amarelecimento, e há interesse comercial pelas cultivares Salustiana, Iapar e Umbigo Navelina, embora os preços sejam considerados baixos pelos produtores, de R$ 0,40/kg.

A colheita da laranja Valência para suco está prevista para o final de julho. Para as frutas de ciclo médio, há expectativa de abertura de compra pela indústria por alguns dias no mês de junho.

Na região de Lajeado, em Palmitinho, a divulgação de foco de greening no Estado despertou maior interesse por informações técnicas, organização de reuniões, orientações sobre compra de mudas e vistorias em pomares domésticos e comerciais.

A prevenção é prioritária, uma vez que o Vale do Caí é uma importante região citrícola, com milhares de famílias e toda uma cadeia produtiva dependente da atividade. Apesar da redução da atividade vegetativa, típica do inverno, não foram observados danos significativos aos pomares comerciais, uma vez que a maior parte das variedades se encontra em maturação.

O frio tem contribuído para o avanço da coloração e melhoria das características das frutas destinadas ao mercado in natura. De maneira geral, os pomares apresentam boa carga produtiva e produtividade estimada pouco acima da média dos últimos anos.

 

Foto: Vanessa Almeida de Moraes

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