Post: Entre viagens e brincadeiras: o que muda para os pets durante as férias escolares

As férias escolares representam um dos períodos mais aguardados pelas crianças. Com mais tempo livre em casa, os pequenos costumam estreitar ainda mais os laços com os animais de estimação, transformando cães e gatos em companheiros inseparáveis de brincadeiras, passeios e viagens.

No entanto, a mudança na rotina familiar exige atenção para garantir que as alterações de horários e o aumento da movimentação dentro de casa não afetem o bem-estar físico e emocional dos pets.

O período pode ser uma excelente oportunidade para fortalecer a relação entre crianças e animais por meio de atividades que estimulem a interação e o gasto de energia.

“Os animais gostam da companhia da família, mas também valorizam previsibilidade e segurança. Durante as férias, é importante equilibrar os momentos de conexão com períodos de descanso, respeitando os limites de cada pet”, orienta a médica-veterinária e consultora da rede de farmácias de manipulação veterinária DrogaVET, Dra. Farah Ramalho.

Brincadeiras que unem diversão, aprendizado e bem-estar

Promover o enriquecimento ambiental e os estímulos à atividade física e mental dos animais, ao mesmo tempo em que se incentiva a criatividade e as atividades manuais e físicas das crianças, é uma forma de tornar as férias mais produtivas para toda a família.

Para os cães, uma brincadeira simples e divertida é a caça aos petiscos. Os alimentos podem ser escondidos em diferentes pontos da casa ou do quintal para que o animal utilize o olfato na busca.

Além de divertida, a atividade estimula um dos sentidos mais desenvolvidos dos cães e contribui para o enriquecimento ambiental.

Outra opção é criar pequenos circuitos com almofadas, cones e cabos de vassoura. Com supervisão de um adulto, as crianças podem ajudar a montar os percursos e incentivar o pet a superar os obstáculos por meio de comandos e recompensas.

É importante que os desafios sejam compatíveis com as capacidades físicas de cada animal, respeitando limitações relacionadas à idade, ao porte e a possíveis doenças articulares ou ortopédicas.

Brincadeiras de busca com bolinhas, brinquedos ou discos também costumam fazer sucesso, especialmente com cães mais ativos.

Já os passeios podem ganhar um toque diferente durante as férias, explorando novos trajetos, parques pet-friendly ou áreas verdes seguras, proporcionando estímulos visuais e olfativos variados.

Durante o passeio, é recomendável manter água fresca sempre disponível, evitar exposição excessiva ao calor e ao sol e respeitar os momentos de descanso do animal.

Os gatos também se beneficiam de atividades interativas. Túneis, prateleiras, nichos elevados e caixas estimulam a curiosidade e os comportamentos naturais da espécie.

Brinquedos que simulam presas, como varinhas com penas ou objetos que se movimentam, ajudam a exercitar o instinto de caça de forma saudável.

As crianças também podem participar da criação de brinquedos e estruturas para os gatos.

Caixas de papelão decoradas e transformadas em castelos, casas, navios ou carrinhos estimulam a criatividade dos pequenos e proporcionam novos espaços de exploração e diversão para os felinos.

Outra atividade simples é espalhar pequenas porções de petiscos em diferentes locais da casa, incentivando o gato a explorar o ambiente.

Para gatos com sobrepeso ou que estejam seguindo dietas específicas, uma alternativa é utilizar parte da própria alimentação diária na atividade, evitando o consumo excessivo de calorias.

Arranhadores, brinquedos recheáveis e quebra-cabeças alimentares também ajudam a manter o animal entretido por mais tempo.

Além das brincadeiras, as férias podem ser uma oportunidade para ensinar às crianças conceitos importantes sobre guarda responsável.

Participar da escovação dos pelos, ajudar a trocar a água, organizar os brinquedos ou acompanhar os passeios são formas de fortalecer o vínculo afetivo e desenvolver senso de responsabilidade.

A especialista alerta, porém, que toda interação deve respeitar os limites do animal. Sinais como afastamento, bocejos excessivos, orelhas para trás, rosnados ou tentativas de se esconder indicam que o pet precisa de uma pausa.

Da mesma forma, brincadeiras que envolvam puxões, abraços forçados ou perseguições devem ser evitadas para garantir a segurança e o bem-estar de todos.

Quando conduzidas de forma adequada, as atividades compartilhadas durante as férias ajudam a fortalecer a relação entre crianças e animais, promovendo momentos de diversão, aprendizado e convivência saudável para toda a família.

Vai viajar? Planejamento é essencial

Muitas famílias aproveitam as férias para viajar e, cada vez mais, os pets fazem parte desses planos.

Entretanto, antes de incluir o animal no roteiro, é importante avaliar se ele possui perfil adequado para deslocamentos e mudanças de ambiente.

Alterações bruscas de temperatura, alimentação e rotina podem causar estresse, desconforto ou agravar problemas de saúde preexistentes.

Viagens de carro exigem transporte seguro, com uso de caixa de transporte ou peitoral e cinto de segurança para contenção.

Já em viagens aéreas, é necessário verificar previamente as exigências da companhia aérea e reunir toda a documentação necessária.

“Antes de viajar, o ideal é realizar uma consulta veterinária para verificar se as vacinas, a vermifugação e os demais cuidados preventivos estão em dia. Essa avaliação também permite identificar possíveis restrições ou necessidades específicas para o período da viagem”, comenta Farah.

Quando a melhor opção é ficar

Nem todos os animais se adaptam bem a viagens. Cães e gatos muito idosos, com doenças crônicas, ansiedade intensa ou perfil mais territorial podem sofrer mais com deslocamentos e mudanças de ambiente.

Nesses casos, creches, hotéis e hospedagens especializadas para pets podem ser alternativas seguras.

Os responsáveis devem verificar as condições de higiene, segurança, supervisão profissional, protocolos sanitários e exigências de vacinação.

Sempre que possível, uma visita prévia ao estabelecimento ajuda a avaliar se o ambiente é adequado para o perfil do animal.

Outra opção é contratar um pet sitter, profissional que realiza visitas domiciliares para alimentação, administração de medicamentos, passeios e companhia ao pet durante a ausência da família.

Tratamentos não entram em férias

Independentemente do destino escolhido, uma recomendação é unânime entre os veterinários: tratamentos de saúde não devem ser interrompidos durante as férias.

Animais que utilizam suplementos e medicamentos contínuos precisam manter rigorosamente a rotina prescrita.

Uma estratégia importante é organizar previamente todos os medicamentos necessários para o período da viagem, incluindo uma margem de segurança para eventuais imprevistos.

Medicamentos manipulados podem facilitar esse processo ao permitirem adequação de doses e formas farmacêuticas mais fáceis de administrar, como biscoitos, molhos, caldas e outras apresentações flavorizadas.

“A manipulação de mais de um ativo em uma mesma fórmula também é uma opção para facilitar o tratamento no dia a dia. Shampoos em pó, lenços umedecidos e sticks são algumas formas farmacêuticas práticas para medicamentos de uso tópico”, explica Farah.

Além disso, os tutores devem levar receitas, relatórios médicos e contatos de emergência do veterinário responsável, especialmente em viagens mais longas.

Bem-estar em primeiro lugar

Embora as férias sejam um momento de descanso e diversão para toda a família, o bem-estar dos animais também deve fazer parte do planejamento.

Com atenção aos detalhes e organização antecipada, crianças e pets podem aproveitar juntos esse período especial, fortalecendo laços, criando novas memórias e compartilhando momentos que ficarão para sempre na lembrança da família.

 

Foto: Melvin Quaresma

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