Mesmo com a redução da taxa de juros básica, a taxa Selic, para 14,25% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a situação econômica ainda está apertada para financiamentos.
O cenário atual continua acentuando a dúvida de muitos brasileiros, em especial os da classe média, se vale mais a pena comprar ou alugar um imóvel. O que trará menos desvantagens financeiras?
O especialista em mercado imobiliário e sócio-diretor da URBS Alpha Mall e URBS Imobi, Pedro Ricardo Teixeira, aponta que a decisão vai muito além do quesito vantagens ou desvantagens financeiras.
“Essa decisão de alugar ou comprar passa muito pelo momento de vida da pessoa”, destaca Pedro.
Lidando com a compra e venda de imóveis diariamente em sua profissão, Pedro enfatiza: “a compra do imóvel próprio está no top 3 da wishlist de todos os brasileiros, da maioria, pelo menos”.
A casa própria ainda é um dos maiores sonhos dos brasileiros, estando na lista de 9 em cada 10 pessoas.
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha no final de 2025 apontou que 93% dos entrevistados que viviam de aluguel tinham como sonho de vida adquirir o imóvel próprio.
Pedro pontua que, para o brasileiro, adquirir a casa própria ainda está muito relacionado a uma realização pessoal.
“A compra do imóvel próprio, seja para moradia, para investimento, para rentabilidade com aluguel, independentemente do objetivo, tem essa conquista envolvida, essa realização. A pessoa quer ter o imóvel dela para falar que é dela, que ela conquistou aquilo, então tem esse fator envolvido também”, ressalta.
O que há por trás da dúvida
De acordo o especialista imobiliário, a grande polêmica que envolve a rixa entre “comprar ou alugar” gira em torno da comparação entre compras feitas envolvendo financiamento imobiliário.
“A questão está muito ligada às taxas de juros aplicadas no financiamento, de que compensa mais você alugar e investir o valor em um outro recurso, no mercado financeiro, por exemplo”, explica.
No entanto, ele defende que essa discussão não se aplica a brasileiros de classe social mais baixa, que, muitas vezes, têm baixa capacidade de poupança. Além disso, a valorização do imóvel é sempre maior do que as correções no longo prazo.
“Por mais que tenha uma correção nas parcelas de financiamento, que tenha uma taxa de juros envolvida, ao mesmo tempo você também tem uma valorização desse imóvel. Mesmo que isso leve um longo prazo, no final, seu imóvel também valerá mais do que você pagou inicialmente. Já no aluguel, esse dinheiro investido não volta mais”, lembra.
O especialista ainda pontua que, até mesmo no aluguel, esse reajuste existe e faz parte do sistema econômico.
“O aluguel também tem correções envolvidas. Via de regra, a correção no aluguel é o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que também é bem alto, e anualmente ele é recalculado. Da mesma forma que você tem a taxa de juros envolvida com financiamento, você tem a correção do aluguel”, explica.
Em contrapartida, Pedro explica que, para algumas pessoas, o aluguel ainda é mais vantajoso.
“Por exemplo, uma pessoa que está começando a vida agora, ou que saiu de um relacionamento, ou que está entrando em um relacionamento, ou que tem uma profissão que exige uma mudança de cidade a curto prazo, por mais dinheiro que essa pessoa tenha para investir à vista, não dá pra ela sair comprando um imóvel a cada cidade que ela passar”, expõe.
Cada um com seus prós e contras
Por fim, Pedro faz uma comparação mais direta entre as duas opções, com os prós e contras de cada um. O aluguel é favorável para aqueles que não têm intenção de firmar raízes e estão constantemente se mudando.
Já a compra traz consigo a questão do financiamento, do risco de cair em parcelas maiores do que o planejado, levando ao endividamento. Mas, em contrapartida, é um investimento a longo prazo, com formação de patrimônio e valorização quase certa.
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