Post: Estrangeiros recorrem à Justiça para destravar pedidos de naturalização atrasados

Estrangeiros que aguardam há mais de 180 dias pela análise de pedidos de naturalização brasileira têm recorrido ao Poder Judiciário para exigir uma resposta do governo.

O Decreto nº 9.199/2017 determina que o procedimento seja concluído em até seis meses, admitindo prazo maior apenas quando a Administração precisar realizar verificações adicionais e explicar formalmente essa necessidade. O próprio portal Gov.br informa ao cidadão o prazo estimado de até 180 dias corridos.

Na prática, porém, há requerentes que esperam mais de 12 meses sem uma decisão, situação que pode adiar a participação em concursos públicos, comprometer oportunidades profissionais e prolongar a insegurança documental de famílias que já construíram sua vida no Brasil.

Para Clarissa Barroso, advogada, sócia-fundadora do BFA Direito Migratório e especialista em nacionalidade e mobilidade internacional, a judicialização não busca substituir a avaliação técnica das autoridades migratórias.

“A ação judicial não garante a concessão da naturalização e não elimina os requisitos previstos em lei. Seu objetivo é exigir que o Estado analise o pedido, informe se há documentos pendentes ou apresente uma decisão fundamentada. Para quem espera, a demora pode significar perder uma oportunidade de trabalho, não conseguir participar de um concurso reservado a brasileiros ou manter indefinidos projetos familiares e patrimoniais”, afirma.

Decisões do Tribunal Regional Federal da 3ª Região reconhecem que o requerente não pode ser prejudicado quando o governo ultrapassa o prazo legal sem apresentar exigências ou uma justificativa concreta.

Em julgamento envolvendo um pedido apresentado em março de 2024, a Corte manteve decisão que determinou o avanço do procedimento e considerou que a demora superior a 180 dias poderia violar o direito à duração razoável do processo.

A atuação judicial, contudo, não transforma a naturalização em um serviço automático. As autoridades continuam responsáveis por verificar residência, antecedentes, documentação, comunicação em português e histórico migratório antes de decidir pela concessão ou pelo indeferimento.

Antes de buscar a Justiça, o estrangeiro precisa avaliar se entregou todos os documentos, respondeu às solicitações do governo e demonstrou corretamente o cumprimento dos requisitos legais.

Na avaliação de Clarissa, o caminho mais seguro combina uma preparação cuidadosa do pedido administrativo com a atuação judicial quando a espera se torna excessiva e não há explicação para a paralisação.

“Não adianta tentar destravar um processo que ainda apresenta falhas ou documentos incompletos. Primeiro, é necessário confirmar que o pedido está pronto para ser decidido. Quando a documentação está adequada e o prazo é ultrapassado sem justificativa, a ação judicial pode ser usada para exigir uma resposta do Estado, e não como atalho para obter a nacionalidade”, conclui.

 

Foto: Reprodução

Últimas Notícias