Post: Ressaca Emocional Pós-Copa: sentimento de vazio após grandes eventos, como a eliminação da Copa do Mundo, tem explicação neuroquímica e psicológica

Com a eliminação da seleção brasileira nas oitavas de final desta edição da Copa do Mundo, a intensidade da torcida e a rotina de celebrações dão lugar a um sentimento coletivo, mas pouco discutido: a “ressaca emocional”.

O retorno às atividades diárias pode ser acompanhado por desânimo, falta de foco e nostalgia, um fenômeno que afeta pessoas de todas as idades.

Especialistas apontam que essa experiência tem fundamentos tanto psicológicos quanto neuroquímicos, e compreendê-la é o primeiro passo para uma transição suave de volta à realidade.

“Durante eventos de alta estimulação, o cérebro aumenta a atividade do sistema de recompensa, associado a picos de dopamina, adrenalina e endorfinas. Quando o evento termina, esses sistemas retornam aos níveis habituais, e essa mudança é percebida como uma queda de energia e entusiasmo”, explica Volmir Neres de Oliveira, coordenador do curso de Psicologia da UNIASSELVI.

Do ponto de vista existencial, é como se fôssemos arremessados de volta ao tempo linear e repetitivo do dia a dia após uma imersão intensa no presente. O vazio é a dor de perceber que o momento se tornou passado.

Os sintomas mais comuns dessa transição incluem dificuldade de concentração, irritabilidade, desânimo e um desejo de reviver a experiência. Segundo o especialista, sentir um certo vazio por dias ou algumas semanas é normal. O sinal de alerta surge quando o quadro não apresenta melhora.

“Se a sensação negativa persiste por várias semanas, impede a pessoa de trabalhar ou estudar e vem acompanhada de perda de interesse por atividades antes prazerosas e alterações no sono ou apetite, é importante considerar a busca por ajuda profissional”, destaca Oliveira.

Impacto entre crianças e adolescentes

Crianças e adolescentes podem sentir o impacto de forma mais intensa, pois seu cérebro está em uma fase de grande desenvolvimento emocional. Para eles, o fim de um evento marcante pode ser vivido como uma perda real de sentido.

“O mais importante é acolher a experiência sem minimizá-la. Validar os sentimentos, retomar a rotina gradualmente e planejar novas atividades são atitudes úteis. Com acolhimento, a maioria dos jovens transforma a saudade em uma lembrança positiva”, ressalta o professor.

Dicas para uma transição saudável

Para “aterrissar” suavemente de volta à realidade, a principal dica é aceitar a “ressaca emocional” como uma fase. Retomar a rotina aos poucos, sem auto cobrança excessiva, manter os vínculos sociais ativos e encontrar aspectos positivos no cotidiano ajudam a reencontrar o equilíbrio.

Como destaca o especialista, o ser humano pode escolher o significado que as experiências terão em sua vida, transformando o que foi vivido em aprendizado e sentido, mesmo após o apito final.

 

Foto: Tiago Ghizoni/NSC

Últimas Notícias