O mês de julho impõe um desafio logístico e emocional para as famílias: a conciliação das férias escolares com a jornada de trabalho dos pais.
Em um cenário econômico de orçamentos restritos, em que viagens não são opções viáveis para todos, a gestão do tempo das crianças em casa, seja com os responsáveis em regime presencial ou de home office, exige planejamento estruturado.
O objetivo principal é evitar o estresse familiar, combater o sedentarismo digital e promover o desenvolvimento infantil.
A pressão por dedicar atenção integral aos filhos frequentemente gera culpa e frustração nos adultos. Para mitigar esse impacto, o alinhamento da realidade é o primeiro passo.
“A criança consegue compreender que os pais seguem trabalhando, desde que a situação seja explicada. O ideal é criar uma rotina de férias que permita aos adultos desenvolverem suas funções e, em momentos definidos, compartilharem tempo com os filhos”, orienta Adriane Maragno, professora de Psicologia da UniCesumar em Curitiba
A psicologia indica que a qualidade da interação supera a quantidade de horas disponíveis e um intervalo de 20 minutos com disponibilidade emocional e intencional da família, em um jogo de tabuleiro ou no preparo conjunto de uma refeição, por exemplo, tem mais relevância para a criança do que uma tarde inteira de presença física sem conexão.
O risco do sedentarismo digital
Com as atividades de trabalho em andamento, o uso de celulares e tablets ocupa, muitas vezes, a função de recurso paliativo.
A recomendação não é abolir os dispositivos, mas exercer controle sobre o tempo e o conteúdo acessado, com diálogo e limites claros.
“A criança precisa de atividades lúdicas que exijam o uso de habilidades cognitivas, motoras e corporais. O excesso de telas resulta no sedentarismo digital, mantendo crianças restritas a sofás e camas, muitas vezes explorando realidades virtuais incompatíveis com sua faixa etária. O comportamento dos pais atua como modelo; portanto, limitar o uso dos próprios smartphones durante a interação com os filhos é uma medida central”, alerta Maragno.
Ócio criativo e rotina de baixo custo
Para orçamentos limitados, o foco deve ser redirecionado do consumo para o convívio com atividades rotineiras que podem ser ressignificadas como momentos de lazer.
A participação lúdica nas tarefas da casa, a construção de brinquedos com materiais recicláveis (sucata, papel, tinta), passeios em praças e o resgate de brincadeiras da infância dos pais suprem a necessidade de distração e estímulo.
A especialista da UniCesumar também adverte contra a prática da “hiper agenda”, caracterizada pelo preenchimento de todos os horários da criança com atividades dirigidas.
“Essa sobrecarga é um equívoco que assemelha as férias à rotina letiva, cheia de tarefas e compromissos. O recesso é o espaço de tempo ideal para explorar a expressividade e as habilidades com leveza, sendo fundamental permitir o tempo livre para o desenvolvimento da criatividade”, conclui a professora.
Foto: Reprodução/Magnific




