Post: Férias escolares também é tempo de cuidar da saúde os olhos

Tão aguardada pelas crianças e adolescentes, a chegada das férias escolares representa para elas dias de descanso, diversão e viagens.

Em paralelo, é importante também adotar medidas preventivas para que os momentos de lazer não se transformem em problemas para a saúde, o que inclui a visão.

O alerta é do presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO), Leiser Franco.

“Brincadeiras com objetos pontiagudos, estilingues, dardos, fogos de artifício, armas de brinquedo que lançam projéteis e produtos químicos de piscina representam riscos importantes para lesões oculares. Também é fundamental proteger os olhos durante esportes de impacto e evitar a exposição excessiva à radiação solar, utilizando óculos com proteção contra raios ultravioleta quando indicado”, observa.

Ele observa que grande parte dos acidentes oculares na infância ocorre dentro de casa e pode ser evitada com medidas simples, como deixar produtos de limpeza fora do alcance das crianças, supervisionar atividades e brincadeiras que façam uso de objetos perfurantes, ferramentas, elásticos, estilingues e brinquedos que disparam projéteis exigem supervisão rigorosa, e jamais brincar com fogos de artifício.

“É importante orientar as crianças a nunca manipular produtos químicos sem acompanhamento. Em caso de contato do olho com substâncias químicas, deve-se realizar lavagem abundante com água corrente e procurar atendimento oftalmológico imediatamente. Nunca se deve utilizar medicamentos caseiros ou esfregar os olhos após um trauma”, orienta

Outro problema, esse longe da algazarra da meninada, que pode acarretar em consequências para a visão é uso excessivo de telas, que costuma aumentar com as férias.

“O uso excessivo de telas está associado principalmente ao aumento da fadiga visual, ressecamento ocular, visão embaçada temporária, dores de cabeça e maior progressão da miopia em crianças predispostas. Além disso, a redução do tempo em ambientes externos diminui um importante fator protetor contra o desenvolvimento da miopia. Também há repercussões sobre o sono, a atenção e o desenvolvimento cognitivo”, alerta o médico.

Ele observa que menores de 2 anos não devem fazer uso de telas, exceto chamadas de vídeo supervisionadas. De dois a 5 anos, o uso deve ser de até uma hora por dia, sempre com conteúdo de qualidade e acompanhamento dos responsáveis. Entre 6 e 10 anos, o limite é até 2 horas diárias de lazer em telas.

Já os adolescentes devem estabelecer limites individualizados, priorizando pausas frequentes, higiene do sono e equilíbrio entre atividades digitais e presenciais.

Hora da consulta

O presidente da SGO lembra que as férias também são uma oportunidade de se fazer a consulta de rotina no oftalmologista, que deve ser anual após o início da idade escolar, mas nem todos os pais se atentam a isso, especialmente quando os filhos não apresentam sintomas.

No Brasil, cerca de 12,8 milhões de crianças, entre 5 e 15 anos, apresentam deficiência visual por condições não corrigidas, segundo o Ministério da Saúde, no documento “Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância”. Cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam alterações visuais, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

O médico observa que muitos problemas de visão são silenciosos e, quando descobertos mais tarde, podem ter a reversão total comprometida.

“Além dos prejuízos visuais, o diagnóstico tardio pode trazer outras consequências emocionais: a criança pode apresentar dificuldades de aprendizagem, atraso no desenvolvimento, redução da autoestima e limitação de oportunidades ao longo da vida”, observa.

Os problemas mais frequentes entre crianças e adolescentes são os erros refrativos — miopia, hipermetropia e astigmatismo — que podem ser corrigidos com óculos ou lentes de contato, quando apropriado.

Outro problema bastante comum é a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, geralmente causada por diferenças de grau entre os olhos ou estrabismo.

O estrabismo também merece destaque, pois pode comprometer o desenvolvimento da visão binocular. Já o ceratocone, que é uma deformação da córnea, pode ser identificado na adolescência.

 

Foto: Reprodução/Magnific

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