Post: Nova lei amplia a prevenção da trombose e fortalece a segurança hospitalar

A prevenção da trombose passa a ser uma prioridade na assistência hospitalar brasileira.

A nova legislação determina que instituições públicas e privadas adotem protocolos para identificar pacientes com maior propensão de tromboembolismo venoso (TEV), doença que engloba a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP). A medida busca reduzir uma das principais causas evitáveis de complicações e mortes durante e após a internação.

Para o cirurgião vascular e membro da Comissão de Tromboembolismo Venoso (TEV) da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Dr. Adilson Ferraz Paschoa, a nova lei representa um marco importante para a segurança dos pacientes e reforça uma prática já recomendada pelas principais diretrizes médicas.

“Toda medida preventiva na área da saúde visa reduzir eventos e suas complicações. Em relação ao tromboembolismo venoso, o cenário não é diferente. Essa orientação, agora com a força de lei, representa um grande avanço para reduzir o impacto da doença. O tromboembolismo venoso é hoje a terceira principal causa de morte cardiovascular no mundo, e toda estratégia de prevenção tem potencial para salvar vidas”, afirma.

O tromboembolismo venoso acomete principalmente pacientes hospitalizados por condições clínicas ou cirúrgicas e está relacionado a fatores de risco como redução da mobilidade, processos inflamatórios e propensão à formação de coágulos.

Embora a doença seja frequentemente associada a longas viagens aéreas, o especialista ressalta que a probabilidade de desenvolver o quadro é muito maior durante as internações, período em que o repouso prolongado e outras vulnerabilidades clínicas estão mais acentuados.

“A permanência no leito ou a mobilidade restrita interferem no retorno venoso. Quando a musculatura da panturrilha deixa de exercer adequadamente sua função, a velocidade do fluxo sanguíneo diminui e a predisposição para a trombose aumenta”, explica Dr. Adilson.

Na prática, a nova legislação determina que todos os pacientes internados sejam avaliados quanto à predisposição de tromboembolismo venoso e que os hospitais adotem as medidas preventivas mais adequadas para cada situação. Entre elas estão a mobilização precoce, hidratação, fisioterapia, uso de meias elásticas, dispositivos de compressão pneumática e, quando indicado, medicamentos anticoagulantes.

Segundo o especialista, muitos hospitais já utilizam procedimentos padronizados para identificar os pacientes mais suscetíveis à trombose, mas o desafio é garantir que essa prática seja incorporada de forma sistemática em todas as instituições de saúde.

A SBACV-SP destaca que a efetividade dessas diretrizes depende da atuação integrada de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos, nutricionistas e gestores hospitalares.

“Não basta apenas aplicar ferramentas de avaliação do risco. É fundamental que cada instituição tenha uma equipe multidisciplinar comprometida com a prevenção do tromboembolismo venoso. Conhecimento, educação continuada, monitoramento dos resultados e apoio dos gestores são essenciais para que as medidas padronizadas funcionem na prática”, destaca Dr. Adilson.

Atenção aos sinais de alerta

Outro ponto importante é que a probabilidade de trombose não termina com a alta hospitalar. De acordo com o médico, a possibilidade de desenvolver a doença permanece elevada nos primeiros meses após a internação.

“A chance de desenvolver tromboembolismo venoso persiste por três meses ou até mais após uma internação, sendo maior nas primeiras três semanas. Por isso, o paciente deve permanecer atento aos sinais de alerta mesmo quando já estiver em casa”, alerta o cirurgião vascular.

Dor e inchaço nas pernas, especialmente na panturrilha, são os principais sinais da trombose venosa profunda. Já dor no peito, falta de ar e dificuldade para respirar podem indicar embolia pulmonar e exigem atendimento médico imediato.

Além da atuação das equipes de saúde, pacientes e familiares também têm papel importante na prevenção da trombose. Incentivar a movimentação precoce, manter uma boa hidratação, seguir as orientações da fisioterapia e esclarecer dúvidas com a equipe médica são atitudes que ajudam a reduzir a probabilidade de complicações.

“O conhecimento da doença deve engajar pacientes e familiares nas medidas preventivas. Respeitar as orientações da equipe de saúde é fundamental, mas também é um direito do paciente conhecer as estratégias de prevenção indicadas para o seu caso”, orienta Dr. Adilson.

Para a SBACV-SP, a adoção sistemática desses protocolos representa um avanço significativo à segurança do paciente, capaz de mitigar a incidência da doença, suas sequelas e complicações, além de reduzir custos ao sistema de saúde. Uma queda, ainda que discreta, nos índices, já se traduz em milhares de diagnósticos poupados no país.

“Se alcançarmos mesmo uma leve redução desse quadro em território nacional, o ganho prático será imenso. Cada episódio prevenido representa menos sofrimento, menos complicações e menor impacto para a saúde pública”, conclui Dr.  Adilson.

 

Foto: Divulgação

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