Post: Julho Verde: fique atento aos sinais que podem indicar câncer de cabeça e pescoço

O próximo dia 27 de julho é o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, marco que foi estabelecido originalmente em 2014 durante um congresso mundial em Nova Iorque e que, a partir de 2015, serviu de base para a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) lançar no Brasil a campanha Julho Verde, uma mobilização nacional que une a comunidade médica e a sociedade em prol do diagnóstico precoce de tumores malignos que atingem a boca, língua, laringe, faringe, tireoide, além da pele do rosto e do pescoço.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o câncer de boca e tireoide  são disparados  os tipos mais comuns entre os tumores malignos dessa região (tirando o câncer de pele não melanoma), seguido por ocorrências na laringe e glândulas salivares.

Somadas todas as variações, o câncer de cabeça e pescoço já figura como o terceiro mais incidente no Brasil, acometendo principalmente homens acima dos 40 anos.

Não podemos deixar de mencionar que o câncer de pele não melanoma da região da cabeça, couro cabeludo, face e pescoço é o tipo mais prevalente em homens e mulheres em todo o Brasil. A causa principal deste câncer é a exposição ao sol sem uso de proteção solar.

Apesar da gravidade, o principal obstáculo enfrentado pela saúde pública é o tempo. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que cerca de 80% dos casos no país são diagnosticados em estágios avançados (III ou IV), o que desfavorece o prognóstico.

Em contrapartida, quando a doença é identificada logo no início, as chances de sobrevida e cura sobem para até 80%.

Fatores de risco e o papel da prevenção

O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas continuam sendo os principais fatores de risco.

No entanto, a comunidade médica, incluindo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), acende o alerta para um perfil crescente de novos pacientes, inclusive jovens, devido aos tumores causados pela infecção pelo papilomavírus humano (HPV), transmitido na prática do sexo oral sem preservativo.

Para a Dra Lana Okada, cirurgiã de cabeça e pescoço  do HNIPO (Hospital Nipo-Brasileiro), a conscientização sobre os fatores de risco e os sintomas iniciais é o que realmente muda o destino do paciente.

“Muitas pessoas ignoram pequenos sinais por acharem que se trata de um incômodo passageiro, mas a persistência de sintomas por mais de duas semanas deve ser investigada imediatamente, pois o tempo é um fator crucial para o sucesso do tratamento e para a preservação das funções da fala e da deglutição”, alerta o especialista.

Os principais sinais de alerta que exigem avaliação médica ou odontológica imediata incluem feridas na boca que não cicatrizam em até duas semanas, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir e nódulos (“caroços”) no pescoço.

Compreender a gravidade desses dados consolida a disseminação de informações corretas e o incentivo à escuta atenta aos sinais do corpo como os caminhos mais eficazes para reverter as estatísticas de diagnóstico tardio no país.

 

Foto: Divulgação

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