O número de mortes nas rodovias federais do Rio Grande do Sul apresentou queda em 2025. Dados consolidados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam redução de 5,5% em relação a 2024, o que representa 19 vidas preservadas ao longo do ano.
Em 2025, foram registrados 1.085 acidentes graves , ocorrências com ao menos uma pessoa morta ou ferida gravemente, nas rodovias federais gaúchas. Esses acidentes resultaram em 5.560 pessoas feridas e 327 mortes. Na comparação com o ano anterior, também houve diminuição de 6% nos acidentes graves e de 3,3% no número de feridos, o equivalente a 194 pessoas que deixaram de se ferir no trânsito.
Acidentes mais letais
Entre os tipos de acidentes, a colisão frontal segue como a principal causa de mortes nas rodovias federais do estado. Em 2025, esse tipo de ocorrência foi responsável por 117 óbitos, o que corresponde a 35,77% do total. Em relação a 2024, houve redução de 11,36% nas mortes por colisões frontais.
As saídas de pista causaram 58 mortes (17,73% do total), número superior ao registrado no ano anterior, quando foram contabilizados 47 óbitos. Já os atropelamentos de pedestres resultaram em 49 mortes, representando 14,98% do total, contra 65 em 2024. Somados, esses três tipos de acidentes concentraram 68,5% das mortes nas rodovias federais do RS em 2025.
Comportamento do condutor
As principais causas presumíveis dos acidentes graves seguem associadas a falhas humanas. Acessar a via sem observar outros veículos, ausência de reação do condutor e reação tardia ou ineficiente responderam, juntas, por quase 40% dos acidentes graves e por mais de 30% das mortes registradas no ano.
No campo da fiscalização, a PRF contabilizou 4.435 autuações por uso do celular ao volante em 2025, conduta que compromete a atenção e reduz significativamente a capacidade de reação do motorista.
Ultrapassagens e velocidade
As ultrapassagens proibidas continuam entre as manobras mais perigosas, especialmente por sua relação direta com as colisões frontais — o tipo de acidente mais letal. Em 2025, a PRF registrou 14.951 autuações por ultrapassagens proibidas no estado, média de 1,7 infração por hora.
No mesmo período, foram contabilizadas 422.304 autuações por excesso de velocidade. Desse total, 91% foram por transitar até 20% acima do limite permitido, faixa que ainda assim eleva de forma significativa o risco de lesões graves e mortes, principalmente em colisões frontais e saídas de pista.
Condições da via e fatores de risco
Os dados indicam que a maioria das mortes ocorreu em condições favoráveis de tráfego: 82% em pista seca, 51% em trechos retos e 64% com céu claro. Para a PRF, esses números reforçam que o comportamento do condutor é o fator decisivo para a gravidade dos acidentes.
O sábado concentrou o maior número de mortes, com 68 óbitos, seguido pelo domingo, com 60. Além disso, 25,67% das vítimas fatais não utilizavam corretamente o cinto de segurança. Ao longo do ano, foram aplicadas 28.319 multas por não uso do cinto e 1.991 autuações por transporte de crianças sem os dispositivos de segurança adequados.
Veículos e perfil das vítimas
Os automóveis lideraram o número de vítimas fatais, com 179 mortes em 2025. Na sequência aparecem as motocicletas, com 58 óbitos. As motos estiveram envolvidas em 36,44% dos acidentes graves, concentraram 17,77% das mortes e 32,93% dos feridos registrados no período.
O perfil das vítimas fatais mostra predominância de homens, que representaram quase 79% dos óbitos. A maior parte das mortes ocorreu entre pessoas de 18 a 49 anos, faixa etária economicamente ativa. Em relação ao tempo de habilitação, condutores com 10 a 15 anos de carteira concentraram o maior número de óbitos, indicando que a experiência, isoladamente, não elimina comportamentos de risco.
Segurança viária e o CONECTRAN
A PRF destaca que a segurança viária é sustentada por três pilares: fiscalização, infraestrutura e educação. Em 2025, a instituição desenvolveu no RS o projeto Segurança Viária Baseada em Evidências, com análise mensal detalhada dos acidentes graves para direcionar ações de fiscalização, operações e rondas conforme locais, dias e horários de maior risco.
Além disso, a PRF realiza análises técnicas das rodovias, encaminhando aos órgãos responsáveis sugestões de melhorias na infraestrutura. A educação para o trânsito complementa o trabalho, com ações direcionadas a públicos específicos com base em dados.
Em 2026, o projeto evolui e passa a se chamar CONECTRAN, ampliando a integração com outros órgãos do sistema de trânsito. A iniciativa parte do entendimento de que o veículo envolvido em um sinistro na rodovia é o mesmo que circula nas cidades, tornando essencial a atuação conjunta para a redução contínua da acidentalidade.
Comparativo 2024 x 2025
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Total de acidentes: 5.218 → 4.907
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Acidentes graves: 1.156 → 1.085
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Feridos: 5.747 → 5.560
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Mortes: 346 → 327
Foto: PRF / divulgação





