Post: Entidades gaúchas seguem acompanhando preços dos combustíveis e avanço de mobilização dos caminhoneiros

Em Santa Catarina, Justiça proibiu bloqueios, porém profissionais se mobilizaram pedindo melhorias no frete e nos valores dos insumos

 

Caminhoneiros iniciaram em Santa Catarina, na manhã desta quinta-feira, uma mobilização junto ao porto de Itajaí, no norte do estado, em protesto pelo cumprimento do piso do frete e pela alta do preço do diesel, este último motivado pelo conflito militar no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã. A decisão vai ao encontro de uma decisão do juiz Tiago do Carmo Martins, da Justiça Federal catarinense (JFSC), que na noite de quarta havia determinado que os grevistas não bloqueassem as BRs 101 e 470, além de locais que interligam ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes.

O magistrado também autorizou o uso de força pública, de maneira “moderada e proporcional” por parte da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF) e demais órgãos competentes, além da fixação de multa de R$ 10 mil por pessoa física e R$ 100 mil por pessoa jurídica que “capitaneie ou apoie bloqueios das rodovias” ou os portos citados.

Em nota, a Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga em Itajaí (ANTC)declarou que o movimento é “sério, responsável e ordeiro”, e ainda convocava os profissionais a não carregar mais caminhões, tampouco aceitar fretes das transportadoras a partir do meio-dia desta quinta. No Rio Grande do Sul, os reflexos são visíveis de forma mais direta em postos de combustíveis, havendo relatos especialmente no norte gaúcho, como Erechim, em que, segundo fontes locais, há falta do insumo para caminhões e tratores em alguns postos.

Dados de uma plataforma colaborativa gerenciada por empresas privadas de logística apontavam também haver problemas em Estrela, Igrejinha e Frederico Westphalen. Em alguns locais, o abastecimento estaria sendo racionado. O presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do RS (Fecam-RS), André Luis Costa, disse que o assunto será tratado em uma reunião interna na próxima segunda-feira, às 11h, com demais presidentes de sindicatos relacionados. No final de semana, outra reunião será feita em Rio Grande, convocada pela regional da Fecam.

“Legalmente, não há nenhum ato de convocação, paralisação ou greve no Rio Grande do Sul, a não ser este edital publicado para a assembleia em Rio Grande. O movimento de Santa Catarina é ilegal, ao meu ver, porque é convocado por uma associação, e ela não tem legitimidade para convocar a categoria, então, obviamente, vai sofrer as consequências. O transporte é uma questão social, então acho que não é o momento, é incoerente e insensato”, comentou ele.

A Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) também emitiu nota. A entidade manifestou “preocupação com os impactos do aumento dos preços dos combustíveis, em decorrência do cenário internacional, sobre a realidade dos municípios gaúchos”.

“Diante de orçamentos já pressionados, a elevação dos custos pode comprometer diretamente a manutenção de serviços essenciais prestados à população, como o transporte escolar, o atendimento na área da saúde, incluindo serviços de urgência e emergência, além da operação de máquinas e equipamentos fundamentais para o atendimento das comunidades, especialmente no meio rural”.

Reforçou ainda a necessidade de diálogo, além de “medidas urgentes e coordenadas”, bem como “garantir o pleno abastecimento, evitando descontinuidade nos serviços e possíveis paralisações que possam afetar diretamente a população”. A entidade disse não ter levantamento de quais municípios, além de Formigueiro, decretaram ou podem decretar situação de emergência por conta de um eventual desabastecimento.

Já o Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Rio Grande do Sul (Sulpetro) disse que, nesta quinta, a situação não mudou frente aos outros dias, ou seja, com relatos de revendedores e distribuidoras sobre o abastecimento do diesel ocorrendo de forma fracionada. Em Porto Alegre, raros postos ainda comercializavam a gasolina comum nesta quinta abaixo de R$ 6, o que causava falta do combustível. Porém, segundo o gerente de um deles, no bairro Morro Santana, que preferiu não se identificar, a distribuição está normal, e uma nova remessa do insumo chegaria na tarde de hoje.

Informações do Correio do Povo

Foto: Camila Cunha

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