Mauricio Camisotti está preso desde setembro do ano passado e foi transferido do presídio para a PF em São Paulo para ficar mais perto dos investigadores do caso
O empresário Mauricio Camisotti depôs a PF (Polícia Federal) nessa terça-feira (24) durante sua negociação para um acordo de delação premiada no inquérito das fraudes bilionárias de descontos associativos no INSS (instituto Nacional do Seguro Social).
Camisotti está tentando acordo com a PF desde o começo do ano e estava recebendo visita de investigadores desde o fim do ano passado, como detalhou a revista Piauí.
Na segunda-feira (23), ele foi transferido da penitenciária de Guarulhos para a Superintendência da PF em São Paulo, em acordo com sua defesa.
A transferência teve como objetivo facilitar e dar mais celeridade às negociações com a PF de um acordo de delação premiada. Na carceragem da instituição, ele fica mais perto dos agentes e delegados que conduzem o acordo.
Novos depoimentos estão previstos, para entregas de documentos e confirmações de datas e transações.
Camisotti é apontado pela PF como beneficiário e personagem crucial do “núcleo financeiro” do esquema de fraudes de descontos associativos de aposentados e pensionistas. Ele foi preso no mesmo dia de Antônio Camilo Antunes, o chamado “careca do INSS”, que também continua preso.
Naquela fase, a PF apreendeu mais de R$ 2 milhões em bens, com apreensões de esculturas, carros e motos de luxo, além de quadros e obras de arte.
Foco na família Camisotti
No mês passado, deputados e senadores da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS afirmaram que a família Camisotti movimentou valores superiores aos do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado até então como o maior operador financeiro do caso.
Segundo os parlamentares, Paulo Camisotti, filho e sócio de Maurício, seria a peça central da estrutura montada pela família para operar os esquemas criminosos.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que o foco no “careca do INSS” acabou desviando a atenção dos parlamentares da família, que teria movimentado valores cinco vezes maiores do que o empresário.
Segundo o deputado, três entidades investigadas teriam repassado juntas mais de R$ 800 milhões, sendo que cerca de R$ 350 milhões teriam chegado diretamente a empresas ligadas aos Camisotti.
“Essa família é três, quatro vezes, cinco vezes, melhor falando, mais forte do que o careca do INSS. Botaram o nome do careca do INSS e a gente ficou repetindo que ele era o maior operador financeiro. Mas lembrem-se desse nome: Camisotti. Nessa operação aqui, foi cinco vezes maior”, declarou Gaspar.
Procurada, a defesa de Camisotti não comentou as tratativas.
Informações da CNN Brasil
Foto: Reprodução/ Instagram @pfsaopaulo







