País mais jovem da Europa pode alcançar marco histórico após décadas de conflito e reconstrução
Sob o domínio da Sérvia nos anos 1990, eventos esportivos eram proibidos em Kosovo, e partidas de futebol aconteciam de forma clandestina. Após os jogos, jogadores se lavavam em pequenos rios ou com neve derretida.
Décadas depois, o cenário é outro. Kosovo está a um passo de garantir, pela primeira vez, uma vaga na fase final da Copa do Mundo — um feito potencialmente histórico para a nação mais jovem da Europa.
Independente desde 2008 e autorizado a integrar o futebol mundial apenas em 2016, o país enfrentará a Turquia em um jogo decisivo de repescagem nesta terça-feira (31). A equipe chega embalada após uma vitória emocionante por 4 a 3 sobre a Eslováquia na semana passada. O vencedor disputará o torneio na América do Norte, que começa em junho.
Para Eroll Salihu, ex-secretário-geral da federação kosovar, a classificação teria um significado que vai além do esporte. Segundo ele, seria a realização de um sonho para gerações que jogaram em campos improvisados, defendendo a honra e o espírito do futebol.
Com cerca de 1,6 milhão de habitantes, Kosovo teve início difícil no cenário internacional, perdendo nove de dez jogos nas eliminatórias para a Copa de 2018. A virada começou com a convocação de jogadores da diáspora.
Na campanha atual, a seleção superou adversários como Suécia e Eslovênia para chegar à repescagem.
Cada partida disputada é vista como uma conquista em um país marcado pela guerra. A luta pela independência, consolidada após intervenção militar da OTAN em 1999, deixou mais de 13 mil mortos.
Ex-capitão e goleiro da seleção, Samir Ujkani afirma que representar o país é também uma forma de retribuição. Ele deixou Kosovo ainda criança para viver na Bélgica.
A expectativa para o confronto decisivo mobiliza a população. O estádio nacional, com capacidade para 12,5 mil pessoas, teve ingressos esgotados em minutos. No mercado paralelo, os bilhetes chegam a custar até 20 vezes mais.
Para quem não conseguir entrar, cidades organizarão telões em praças públicas.
Como incentivo extra, o governo prometeu um bônus de 1 milhão de euros (R$ 6 milhões) aos jogadores em caso de vitória.
Informações da CNN Brasil e Reuters
Foto: Divulgação/Kosovo







