Decreto integra o Exame Nacional do Ensino Médio ao Saeb para gerar indicadores oficiais de ensino e definir políticas públicas
A estratégia do MEC (Ministério da Educação) tenta resolver um descompasso histórico. Atualmente, muitos alunos do terceiro ano do ensino médio concentram seus esforços apenas no Enem, negligenciando as provas de diagnóstico do Saeb.
Com a unificação das atribuições, o governo espera reduzir os índices de abstenção e obter um retrato mais fiel e abrangente da educação brasileira. Na prática, a prova que define o futuro acadêmico do jovem agora servirá também como a principal métrica para identificar desigualdades regionais e o cumprimento do PNE (Plano Nacional de Educação).
Criado em 1998, o Enem surgiu justamente com a proposta de avaliar o conhecimento de alunos brasileiros ao final da educação básica. Foi apenas em 2009 que o exame passou por uma reformulação para servir também como forma de seleção para universidades federais, consolidando-se, desde então, como o principal mecanismo de acesso ao ensino superior no país.
O que muda para o estudante?
Apesar da nova camada de complexidade administrativa, para o estudante que se prepara para a prova, a estrutura de acesso permanece inalterada.
O Enem continua sendo o critério central para o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que oferece vagas em instituições públicas de ensino superior; o Prouni (Programa Universidade para Todos), voltado para bolsas de estudo em faculdades particulares; e o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), que auxilia no pagamento das mensalidades em cursos privados, além de manter os convênios internacionais que permitem o ingresso em universidades de Portugal.
O que muda, fundamentalmente, é o uso do dado: o Inep passa a processar as notas não apenas para classificar candidatos, mas para certificar competências e orientar investimentos em infraestrutura e métodos pedagógicos.
Para evitar distorções nos dados estatísticos e garantir a comparação com anos anteriores, o MEC estabeleceu um cronograma de transição.
Uma portaria detalhará como os resultados do Saeb de 2025 serão utilizados para compor os indicadores de 2027 e 2028.
A mudança ocorre em um momento de expansão da infraestrutura educacional, com o anúncio de mais de cem novas obras entregues em todo o país e o avanço da conectividade escolar, somando investimentos que ultrapassam os R$ 413 milhões via Novo PAC.
Informações da CNN Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil







