Post: Agosto Dourado – Entrada na escolinha não significa o fim da amamentação: 6 dicas para manter o aleitamento nessa fase

O ingresso na escolinha costuma despertar muitas dúvidas entre as famílias, principalmente quando o bebê ainda mama no peito.

É preciso fazer o desmame antes de entrar no berçário? Como enviar o leite materno para a escola? O que fazer se a criança quiser mamar mais quando estiver em casa?

As perguntas são frequentes e podem gerar insegurança nesse período de transição. Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno, o tema ganha ainda mais relevância.

A boa notícia é que segundo especialistas, a entrada na escola não precisa representar o fim da amamentação.

“Com planejamento e uma adaptação respeitosa, é possível preservar esse vínculo e, ao mesmo tempo, ajudar o bebê a construir uma relação positiva com o novo ambiente”, indica Fabiana Falcone, Diretora de Operações Pedagógicas do Fadelito, rede especializada em Educação Infantil, que conta com 36 unidades em toda a Grande São Paulo e interior do Estado.

Segundo a educadora, um dos principais pontos é entender que cada criança tem seu próprio ritmo e que a escola deve atuar em parceria com a família.

“O bebê não precisa deixar de mamar porque começou a frequentar a escola. A amamentação é um vínculo de nutrição e também de acolhimento emocional. Quando a família e a escola trabalham juntos, é possível construir uma transição mais segura, respeitando as necessidades de cada criança”, afirma.

Veja abaixo as orientações da especialista para ajudar as famílias nesse momento tão importante da vida das crianças:

1. Evite iniciar o desmame junto com a entrada na escola

A chegada ao berçário já representa uma grande mudança para o bebê. Ele passa a conviver com novos adultos, outras crianças, diferentes estímulos e uma rotina até então desconhecida.

Por isso, iniciar o desmame exatamente nesse período pode tornar a adaptação mais desafiadora.

“O ideal é evitar que muitas mudanças importantes aconteçam ao mesmo tempo. Se a criança está deixando o ambiente conhecido de casa para explorar um novo espaço, o peito pode continuar sendo uma referência de segurança, conforto e acolhimento nos momentos em que ela está com a família”, explica Fabiana.

“Cada criança tem uma história diferente. Algumas famílias conseguem fazer essa transição antes da entrada na escola, enquanto outras preferem manter a amamentação por mais tempo. O importante é que essa decisão seja tomada com calma, respeitando o ritmo do bebê e considerando a realidade de cada família. Quando houver dúvidas sobre o momento adequado para o desmame, é importante conversar com o pediatra que acompanha a criança”, completa a educadora.

2. Converse com a escola antes do primeiro dia de aula

A adaptação começa antes mesmo de o bebê entrar no ambiente escolar. Quanto mais informações a equipe pedagógica tiver sobre a rotina da criança, maior será a possibilidade de oferecer um acolhimento adequado, respeitando as características e necessidades individuais.

“É importante que a família compartilhe como é a rotina do bebê: os horários de sono, quando costuma mamar, como demonstra fome, quais estratégias ajudam a acalmá-lo e quais hábitos já fazem parte do dia a dia”, explica Fabiana.

Segundo a especialista, pequenos detalhes podem fazer uma grande diferença nesse processo.

“Um bebê que dorme melhor após um momento de colo, que gosta de uma música específica ou que tem um objeto de apego pode se sentir mais seguro quando a escola conhece essas características. Essas informações ajudam os educadores a criar uma rotina mais próxima daquela que a criança já conhece”, avalia.

3. Organize com antecedência o envio do leite materno

Para as famílias continuarem oferecendo leite materno durante o período em que o bebê está na escola, a organização é essencial.

“É importante conversar com a escola antes do início das aulas para alinhar detalhes sobre como funciona o recebimento, a identificação, o armazenamento e a oferta do leite”, indica Fabiana.

“Esse planejamento evita insegurança para os pais e garante que o bebê continue recebendo o alimento de forma adequada.”

A especialista explica que a rotina familiar também precisa ser considerada.

“Quando a mãe trabalha e passa algumas horas longe do bebê, ela pode organizar a retirada do leite conforme sua realidade e orientação de profissionais de saúde. O mais importante é encontrar uma rotina possível e sustentável para aquela família.”

4. Entenda que o bebê pode querer mamar mais quando está em casa

É comum que algumas famílias percebam mudanças no comportamento do bebê após o início da escola. Uma delas é o aumento da procura pelo peito nos momentos em que a criança está com os pais.

“Durante a adaptação no berçário, o bebê passa por muitas novidades ao longo do dia. A amamentação também é uma forma de reconexão, acolhimento e segurança emocional. Por isso, pode acontecer de ele querer mamar mais quando chega em casa, principalmente nos primeiros dias ou semanas”, explica Fabiana.

Segundo a especialista, esse comportamento não significa necessariamente que a adaptação está dando errado.

“O peito representa muito mais do que alimentação. Para muitos bebês, é um momento de vínculo com a mãe. O importante é observar a criança como um todo e manter uma comunicação próxima com a escola para entender como está sendo a rotina durante o período em que ela permanece fora de casa.”

5. Não substitua o leite materno pela alimentação antes da hora

A entrada na escola muitas vezes coincide com o período de introdução alimentar, o que pode gerar dúvidas sobre a quantidade de leite materno que o bebê deve receber.

“Os alimentos entram como complemento e não significam que o leite materno precisa ser retirado imediatamente. Cada bebê tem seu tempo de adaptação aos novos sabores, texturas e formas de alimentação”, explica Fabiana.

Ela reforça que a escola e a família devem acompanhar juntas essa fase.

“É importante observar como a criança aceita os alimentos, se demonstra interesse pelas refeições e como fica sua rotina de mamadas. A introdução alimentar deve acontecer de forma gradual e respeitando as orientações do pediatra”, explica a diretora pedagógica do Fadelito.

6. Mantenha uma comunicação diária com a escola sobre a amamentação

A parceria entre família e escola é fundamental para que o aleitamento continue sendo respeitado durante a adaptação.

“Os pais precisam se sentir seguros para conversar sobre a rotina de mamadas, horários, quantidade de leite enviada, aceitação do leite materno e qualquer mudança percebida no comportamento do bebê”, explica Fabiana.

Ela reforça que essa troca ajuda a identificar rapidamente qualquer necessidade da criança.

“Quando a escola e a família compartilham informações, fica mais fácil entender se o bebê está confortável, se está mamando adequadamente e se a adaptação está acontecendo de forma saudável.”

Para Fabiana, o principal é compreender que escola e amamentação não são antagônicos.

“A entrada na escola não representa uma ruptura com a amamentação. Com acolhimento, planejamento e respeito ao ritmo de cada bebê, essa transição pode acontecer de forma tranquila e positiva para a criança e para a família”, conclui.

 

Foto: Divulgação

Últimas Notícias