Ambas seleções tentam encerrar um jejum de 12 anos sem disputar o torneio
Bósnia e Itália se enfrentam nesta terça-feira (31) em um playoff classificatório para a Copa do Mundo, em confronto que coloca frente a frente duas seleções que tentam encerrar um jejum de 12 anos sem disputar o torneio.
A partida também resgata lembranças históricas, incluindo a primeira vitória internacional da Bósnia como nação independente.
A possibilidade de a Itália, tetracampeã mundial, ficar fora de uma terceira Copa consecutiva já domina o noticiário. A última participação italiana foi em 2014 — justamente a única edição disputada pela Bósnia na história.
Desde então, o retrospecto das duas seleções em playoffs é negativo. A Itália caiu nesta fase nas eliminatórias para as Copas de 2018 e 2022, enquanto a Bósnia foi eliminada no mesmo estágio rumo ao Mundial de 2010 e também fracassou nos playoffs das últimas quatro edições da Eurocopa.
O duelo carrega ainda um peso simbólico para os bósnios. A primeira vitória da seleção após a independência, há quase 30 anos, foi justamente contra a Itália.
Jogadores bósnios já haviam participado de Copas desde 1950, quando integravam a antiga Iugoslávia. Após declarar independência em 1992, o país só obteve filiação oficial à Fifa em 1996.
A primeira campanha classificatória da Bósnia ocorreu naquele ano, visando a Copa de 1998. Pouco depois do fim da Guerra da Bósnia, Sarajevo recebeu seu primeiro jogo internacional: um amistoso contra a Itália, em novembro de 1996.
A seleção italiana foi a primeira a atuar na cidade após o cerco entre 1992 e 1995, em um gesto que simbolizou ao mundo que Sarajevo voltava a ser um local seguro para o futebol internacional.
A partida, quinta oficial da história da Bósnia, foi disputada no início da tarde devido à ausência de iluminação no Estádio Olímpico Kosevo. Cerca de 40 mil torcedores acompanharam o jogo, transmitido ao vivo pela televisão italiana.
“O significado deste jogo vai muito além do esporte”, afirmou o comentarista da RAI, Bruno Pizzul, na ocasião.
Em campo, a Bósnia venceu por 2 a 1, conquistando seu primeiro triunfo internacional e marcando sua chegada ao cenário global. A derrota levou à renúncia do então técnico italiano Arrigo Sacchi.
Alta pressão em jogo decisivo
Três décadas depois, o cenário é outro, mas a pressão permanece elevada. Uma nova eliminação italiana aprofundaria a crise em uma das seleções mais tradicionais do futebol mundial, que busca interromper um período de declínio desde o título da Copa do Mundo conquistado há 20 anos.
A Itália chega após duas derrotas contundentes para a Noruega nas eliminatórias, o que a levou novamente aos playoffs. Depois de vencer a Irlanda do Norte em casa na última quinta-feira, a equipe tenta encerrar o jejum de Copas com um resultado positivo fora de casa.
A Bósnia também terminou em segundo lugar em seu grupo, com apenas uma derrota, para a Áustria. Na semifinal do playoff, superou o País de Gales nos pênaltis e agora busca sua segunda participação em Copas do Mundo.
As condições climáticas interferiram na preparação italiana. A neve que caiu em Zenica no sábado, seguida por chuva no domingo, gerou preocupação com o estado do gramado. Por isso, a equipe comandada por Gennaro Gattuso optou por treinar em sua base, em Coverciano, na manhã de segunda-feira.
Além disso, o Estádio Bilino Polje terá capacidade reduzida devido a sanções disciplinares impostas pela Fifa após incidentes na última partida da Bósnia em casa, contra a Romênia, em novembro.
Mesmo com público limitado e clima adverso, a expectativa é de ambiente intenso em Zenica para um confronto decisivo — que garantirá a uma das seleções o retorno à Copa do Mundo após mais de uma década de ausência.
Informações da CNN Brasil e Reuters
Foto: Reprodução/Fuad Krvavac







