A perimenopausa marca uma fase de importantes transformações no organismo feminino. Antes mesmo da menopausa, as oscilações e a redução progressiva dos níveis hormonais, especialmente do estrogênio, podem refletir diretamente na pele.
A diminuição do colágeno, a perda de firmeza, alterações na hidratação, surgimento ou intensificação de manchas e mudanças na distribuição de gordura são algumas das queixas que podem aparecer nesse período.
Para Nayla Lima, biomédica esteta e especialista em harmonização facial no Espaço Hi, em São Paulo, o tratamento precisa acompanhar essas mudanças de maneira individualizada.
“A perimenopausa traz uma redução importante dos níveis de estrogênio, o que acelera a perda de colágeno, diminui a espessura da pele e favorece a flacidez. O tratamento mais eficaz é a combinação de diferentes estratégias. Costumo associar bioestimuladores de colágeno, tecnologias que promovem aquecimento profundo da pele, como radiofrequência e ultrassom microfocado, além de um skincare com ativos que estimulam renovação celular. O grande segredo não é um único procedimento, mas um planejamento individualizado que estimule o colágeno de forma contínua.”
Entre os procedimentos utilizados nessa fase estão os bioestimuladores de colágeno, que atuam estimulando o próprio organismo a produzir novas fibras ao longo dos meses.
Já tecnologias como o ultrassom microfocado utilizam pontos precisos de energia em diferentes profundidades para promover retração dos tecidos e estimular a produção de colágeno, sem necessidade de cirurgia.
“Os bioestimuladores são substâncias que estimulam o próprio organismo a produzir novas fibras de colágeno ao longo dos meses, promovendo melhora progressiva da firmeza e da qualidade da pele. Já o ultrassom microfocado atua através de pontos precisos de energia em diferentes profundidades, promovendo retração dos tecidos e estimulando colágeno sem necessidade de cirurgia. São excelentes opções para pacientes com flacidez leve a moderada que desejam resultados naturais, prevenção do envelhecimento ou melhora da sustentação facial e corporal”, explica Nayla.
As manchas também merecem atenção. O melasma, por exemplo, é uma condição crônica e inflamatória e pode exigir uma abordagem contínua para evitar recidivas. A estratégia pode envolver despigmentantes, antioxidantes, peelings específicos, tecnologias adequadamente indicadas e fotoproteção rigorosa.
As chamadas manchas senis também podem responder a peelings e tratamentos direcionados, desde que o procedimento seja escolhido de acordo com as características da pele.
“O maior erro é tratar apenas a mancha visível. Hoje sabemos que o melasma é uma condição crônica e inflamatória, por isso o tratamento precisa controlar a inflamação, proteger contra a luz solar e prevenir novas recidivas. Já as manchas senis costumam responder muito bem a peelings e tratamentos direcionados, sempre respeitando o tipo de pele para evitar hiperpigmentação pós-inflamatória.”
A diferença entre uma pele jovem e uma pele madura também exige mudança na estratégia do consultório.
Enquanto em fases anteriores o foco costuma estar na prevenção, na manutenção da qualidade da pele e no tratamento de acne e manchas iniciais, durante o processo de envelhecimento é necessário considerar alterações que acontecem em diferentes camadas do rosto.
“Na pele madura, trabalhamos de forma mais ampla. Além da qualidade da pele, precisamos considerar perda de gordura facial, redução óssea, alterações hormonais, flacidez e diminuição da produção de colágeno. Por isso, normalmente associamos diferentes procedimentos para tratar todas essas camadas do envelhecimento.”
A busca por resultados naturais também ganhou força. Em vez de simplesmente aumentar volumes, a estética contemporânea procura recuperar estruturas e acompanhar as características individuais de cada rosto.
“A naturalidade é resultado de planejamento, não de quantidade de produto. Hoje buscamos reposicionar estruturas e restaurar aquilo que foi perdido pelo envelhecimento, e não simplesmente aumentar volumes. Um bom profissional respeita a anatomia, as características individuais e entende que, muitas vezes, menos é mais. O objetivo é fazer com que a pessoa pareça descansada, saudável e bem cuidada, sem perder sua identidade.”
Os cuidados não se restringem ao rosto. Durante a perimenopausa, algumas mulheres também relatam aumento da retenção de líquidos, sensação de peso nas pernas e mudanças na composição corporal.
A drenagem linfática pode auxiliar na redução de edema e proporcionar bem-estar, mas deve estar inserida em uma estratégia mais ampla, que considere alimentação, hidratação, atividade física e avaliação médica quando necessária.
Para a rotina doméstica, a especialista destaca a importância de combinar antioxidantes, hidratação e fotoproteção.
Pela manhã, a vitamina C pode ser associada ao protetor solar, enquanto à noite os retinoides podem contribuir para a renovação celular e estímulo de colágeno.
Ácido hialurônico, ceramidas, niacinamida e peptídeos também podem complementar a rotina de acordo com as necessidades individuais.
“O protetor solar continua sendo o principal produto antienvelhecimento disponível. À noite, os retinoides são excelentes para estimular colágeno e renovação celular. Também gosto de associar ativos hidratantes, como ácido hialurônico e ceramidas, além de ingredientes como niacinamida e peptídeos, que fortalecem a barreira cutânea e melhoram a qualidade da pele ao longo do tempo.”
No corpo, a flacidez também pode exigir uma abordagem combinada, especialmente em regiões como braços, abdômen e coxas.
Tecnologias que estimulam colágeno podem ser associadas à radiofrequência, ultrassom, bioestimuladores e fortalecimento muscular.
“A flacidez corporal raramente tem uma única causa, por isso também exige tratamento combinado. Podemos associar tecnologias que estimulam colágeno, radiofrequência, ultrassom, bioestimuladores, fortalecimento muscular com equipamentos específicos e orientação para ganho de massa muscular através do exercício físico. Quando tratamos pele, gordura localizada e musculatura ao mesmo tempo, os resultados costumam ser muito superiores.”
Antes de qualquer procedimento, porém, a preparação da pele é fundamental. Manter a barreira cutânea íntegra, controlar inflamações e garantir hidratação adequada pode favorecer a resposta ao tratamento e reduzir riscos como manchas e infecções.
Por fim, a especialista ressalta que resultados estéticos consistentes não acontecem de forma instantânea.
O planejamento deve considerar o que é possível alcançar, o número provável de sessões, o tempo necessário para os efeitos aparecerem e a manutenção em casa.
“O alinhamento de expectativas começa na consulta. É fundamental explicar quais resultados são possíveis, quantas sessões provavelmente serão necessárias, quanto tempo leva para aparecerem os efeitos e quais cuidados o paciente precisará manter em casa. Estética não é transformação instantânea. Os melhores resultados são construídos ao longo do tempo, de forma progressiva e personalizada, respeitando a individualidade de cada paciente. Essa abordagem gera resultados mais naturais, seguros e duradouros.”
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