Uma aquisição planejada de aparelhos de ar-condicionado durante os meses de inverno no Brasil permite uma economia média de 10% a 20% no preço final do equipamento e reduz de forma expressiva os custos de instalação técnica.
O movimento de antecipação ganha relevância estratégica em 2026 devido aos alertas emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que confirmam a consolidação do fenômeno El Niño para o segundo semestre, estendendo-se até o início de 2027.
Esse cenário meteorológico projeta temperaturas acima da média histórica e acende alertas logísticos para a cadeia de suprimentos instalada na Zona Franca de Manaus, tornando a compra na entressafra uma barreira de proteção contra a inflação sazonal típica do verão, que costuma registrar escaladas de preços de até 25,7% segundo o Índice Fipe/Buscapé.
Sazonalidade climática e riscos logísticos na Amazônia alteram o ritmo do varejo
A flutuação de preços no mercado de climatização está diretamente associada às variações de temperatura e à estabilidade das rotas de escoamento industrial.
Em cenários normais de mercado, a redução na procura por refrigeração no inverno faz com que o varejo atue com margens mais flexíveis para acelerar a rotação de estoques.
No entanto, o histórico recente do setor exige cautela: durante o verão de 2023/2024, a severa estiagem na região amazônica reduziu o nível dos rios utilizados para o transporte de mercadorias da Zona Franca de Manaus, gerando gargalos de abastecimento que empurraram os preços para patamares superiores aos de reajuste habitual da temporada.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), o setor movimentou R$ 50,15 bilhões em 2025 e estima alcançar R$ 55,62 bilhões em 2026, impulsionado pela baixa penetração do produto, presente em apenas 17% dos domicílios brasileiros.
Para Felipe Colombo, Gerente Executivo de Compras e Importação da Webcontinental, o inverno se consolida como um dos melhores momentos para a compra do equipamento justamente por reverter essa pressão inflacionária:
“Nesta época, a demanda é menor e os preços costumam ficar entre 10% e 20% mais baixos do que durante o verão, gerando uma economia significativa para o consumidor. Essa diferença acontece porque a menor procura nos meses mais frios leva varejistas e fabricantes a oferecerem condições mais atrativas para estimular as vendas. Entretanto, estamos considerando um cenário de mercado e clima dentro da normalidade. Com a previsão de ocorrência do fenômeno El Niño, alguns fatores podem impactar a cadeia de abastecimento e provocar aumentos de preços superiores aos observados tradicionalmente.”
O especialista complementa, relembrando o gargalo fluvial histórico que impactou a indústria e como o planejamento protege o orçamento familiar:
“Como grande parte dos aparelhos é produzida na Zona Franca de Manaus, a severa estiagem de períodos anteriores atrasou o escoamento da produção e o abastecimento dos estoques de indústrias, distribuidores e varejistas. A combinação entre alta demanda e menor disponibilidade de produtos contribuiu para aumentos de preços que ultrapassaram os 20% normalmente observados. Antecipar a compra durante o inverno não apenas permite aproveitar preços mais baixos, mas também reduz o risco de enfrentar aumentos inesperados e falta de estoque quando a procura se intensifica nos meses mais quentes.”
Novas exigências de eficiência do Inmetro impulsionam a transição tecnológica
A escolha do condicionador de ar na entressafra também permite ao consumidor se adequar com maior critério às mudanças regulatórias em curso.
A Portaria número 269 de 2021 do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) estabeleceu o Índice de Desempenho de Resfriamento Sazonal (IDRS) como o parâmetro oficial de classificação energética do país, simulando 2.080 horas de operação anual.
A segunda fase dessa regulamentação, que entra em vigor em janeiro de 2026, eleva o patamar mínimo para a obtenção do selo Classe A para um IDRS de 7,00, o que acelera a substituição dos aparelhos convencionais de tecnologia fixa (On-Off) por modelos equipados com compressores inverter e fluido ecológico R-32, que apresenta um Potencial de Aquecimento Global (GWP) de 675 — consideravelmente menor que os 2.088 do antigo gás R-410A — e aumenta a eficiência de troca térmica em 10%.
Ter pressa, portanto, na hora de comprar o produto no verão costuma impedir que o consumidor observe esses aspectos técnicos.
Segundo analisa Felipe Colombo, Gerente Executivo de Compras e Importação da Webcontinental, o imediatismo provocado pelo calor é o principal gerador de escolhas ineficientes:
“O erro mais comum de quem deixa a compra do ar-condicionado para os dias mais quentes do verão é agir por impulso, motivado pela necessidade imediata de aliviar o calor. Nessa situação, muitos consumidores acabam priorizando apenas a rapidez da compra e deixam de avaliar fatores importantes, como prazo de entrega, disponibilidade de estoque e até mesmo a escolha do modelo mais adequado para o ambiente. Na alta temporada, os prazos de entrega tendem a ser mais longos e ocorrem rupturas de estoque. Comprar fora da alta temporada traz a vantagem de encontrar uma variedade maior de marcas, modelos e capacidades, podendo escolher exatamente o equipamento mais adequado para sua necessidade, sem ficar limitado aos itens disponíveis.”
Ciclo reverso oferece aquecimento de alta eficiência contra o frio
Diferente de aquecedores elétricos portáteis e estufas residenciais que geram calor direto por meio de uma resistência elétrica com eficiência limitada ao Coeficiente de Desempenho (COP) máximo de 1,0, os aparelhos de ar-condicionado com ciclo reverso operam como bombas de calor.
Esse princípio termodinâmico retira a energia térmica do ar externo e a transfere para o interior do ambiente, atingindo um coeficiente de performance de 3,0 a 4,5, o que representa uma eficiência de até 450%.
Uma simulação baseada na tarifa residencial média homologada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) demonstra que um modelo inverter de 12.000 BTUs operando por 8 horas diárias durante um mês consome cerca de 192 kWh, gerando um impacto de R$ 129,41 na fatura de energia.
Um aquecedor de resistência consome até 40% mais eletricidade para cobrir uma área menor, com custos que chegam a R$ 1,50 por hora de uso.
A tecnologia inverter elimina os picos de partida do motor de rotação fixa, gerando uma poupança de até 70% na conta de luz ao longo do ano.
Nas palavras de Felipe Colombo, Gerente Executivo de Compras e Importação da Webcontinental, “nas regiões onde o inverno apresenta temperaturas mais baixas, os modelos com tecnologia quente e frio oferecem uma excelente alternativa para aquecer os ambientes com conforto e praticidade”, o que desmistifica a ideia de que o ar-condicionado é um eletrodoméstico de uso puramente sazonal de verão.
Agendas livres na baixa temporada garantem rigor técnico na instalação de compressores
A instalação de um sistema split é um procedimento complexo de engenharia térmica que demanda entre duas e quatro horas de trabalho especializado. Uma das etapas mais críticas é o processo de vácuo nas tubulações de cobre, que deve durar de 30 a 60 minutos para extrair completamente a umidade e o ar do circuito.
Se essa fase for negligenciada ou encurtada — erro comum cometido por profissionais sobrecarregados durante o pico do verão —, a umidade residual reage com o fluido refrigerante e oxida as partes internas do compressor, reduzindo a eficiência térmica e provocando a perda da garantia de fábrica.
No inverno, a baixa sazonalidade de serviços garante preços de mão de obra mais flexíveis e agendamento imediato.
O valor médio para instalação residencial varia regionalmente nas capitais brasileiras, com a média na região Sul fixada em R$ 1.450,00, a região Sudeste em R$ 1.300,00 e o Nordeste registrando média de R$ 900,00 por equipamento de pequeno porte.
De acordo com as orientações de Felipe Colombo, Gerente Executivo de Compras e Importação da Webcontinental, o comportamento do consumidor em 2026 reflete essa busca por eficiência, embora ainda haja um grupo que corre riscos desnecessários:
“Muitos consumidores continuam aproveitando as promoções da baixa temporada para garantir seus equipamentos pelos melhores preços, evitando os reajustes típicos da alta demanda do verão. Por outro lado, ainda existe uma parcela significativa de clientes que prefere esperar a chegada das temperaturas mais elevadas para realizar a compra. O comportamento do consumidor tende a variar bastante conforme a região. Na região Sul, o El Niño tende a registrar volumes de chuva acima da média e maior frequência de temporais; já no Norte, há aumento do risco de estiagens. Aproveitar as datas promocionais para garantir o produto e planejar a instalação com tranquilidade permite uma decisão mais consciente. A instalação tende a apresentar custos mais competitivos no inverno, e a maior disponibilidade de técnicos permite um serviço mais rápido e seguro”, conclui o especialista.
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