Post: Corsan aponta razões para desabastecimento de água na Serra

Em entrevista para o Studio News, superintendente de relações institucionais da empresa, Lutero Cassol, explicou as principais questões levantadas por moradores de Farroupilha, Flores da Cunha, Veranópolis e Vacaria

 

Ao longo da semana passada, lideranças de municípios da Serra Gaúcha intensificaram críticas à Corsan pelo desabastecimento contínuo de água. Em entrevista ao programa Studio News, A empresa, por meio do superintendente de relações institucionais, Lutero Cassol, expôs a sua posição.

Em Farroupilha, a prefeitura firmou contrato com a Universidade de Caxias do Sul para elaborar o Plano Municipal de Saneamento Básico. A iniciativa ocorre em meio às discussões sobre a concessão vigente até 2033. Em audiência pública na Câmara de Vereadores, moradores relataram falta frequente de água, problemas na qualidade, cobranças consideradas abusivas e falhas em obras executadas pela Corsan.

Lutero afirma que a Corsan investiu o necessário para atender a demanda, mas que entende que a Prefeitura está buscando o melhor para a comunidade. “Existe a obrigação de garantir o abastecimento diário da água e isso está sendo feito. Quanto à assinatura do contrato, os trabalhos que o Município está fazendo, entendemos que está fazendo o melhor para a comunidade e respeitamos”, frisou.

Em Flores da Cunha, a Prefeitura encaminhou ofícios à Agesan e à cobrando providências imediatas. O município solicitou abertura de processo administrativo, revisão de penalidades e a apresentação de um plano de ação com cronograma e medidas emergenciais. O representante da Corsan explicou que por tratar-se de uma cidade com topografia diferenciada e os problemas terem ocorrido em períodos extremamente quentes, houve redução no volume de água nos mananciais, o que levou ao desabastecimento.

Informou que, diante do problema detectado, a Corsan investiu em perfuração de dois poços artesianos, que já estão em funcionamento. Também existe um estudo para mapeamento de áreas para perfurar mais cinco poços para atender as demandas no pico de consumo. “O investimento em Flores da Cunha é de aproximadamente R$ 6 milhões”, reforçou.

Em Veranópolis, de acordo com o representante da Corsan, a interrupção foi provocada por falha técnica no sistema de telemetria. Embora o serviço tenha sido parcialmente normalizado, há registros de instabilidade em bairros específicos. Outra razão foi a falta de energia durante oito horas na cidade, provocando o esvaziamento de toda a reservação de água e, por consequência, falta para os consumidores de toda a cidade. Outra explicação foi sobre a queima de motor da Corsan, o que provocou pausa de três horas no abastecimento para manutenção, o que, novamente, esvaziou a reservação de água. “As demais faltas de água foram pontuais, decorrentes da manutenção rotineira”, argumentou.

Em Vacaria, após o rompimento de uma rede deixar o município por mais de 72 horas sem água, o Procon notificou a Aegea. A concessionária pode ser multada em até 50 mil valores de referência municipal. Encerrado o prazo de cinco dias para apresentação de um plano de ressarcimento, a Procuradoria-Geral do Município informou que está estruturando uma ação para encerrar o contrato com a Corsan, ainda sem prazo definido para o envio.

O superintendente explicou que serão feitas reformas para melhorar o abastecimento. “A equipe técnica fez uma visita e apurou a necessidade de algumas ações extremamente importantes. Devemos investir em torno de R$ 7,7 milhões para elevar a capacidade de reservação e consertar a tubulação em alguns trechos de redes. As adutoras maiores que abastecem a cidade precisam de reforço, o que será feito por meio de uma estrutura em paralelo para injetar água nas extremidades”, explica. Também serão instalados equipamentos de bombeamento e bombas d’água específicas em alguns pontos da cidade para pressurizar as partes mais distantes e altas da cidade.

Não conformidades são identificadas em Flores da Cunha e Veranópolis

A Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (Agesan-RS), ao constatar as recorrentes interrupções no abastecimento de água em Flores da Cunha e Veranópolis, realizou fiscalização presencial sob demanda nos municípios para verificar as causas da intermitência. Foram apuradas 326 não conformidades em Flores da Cunha e 165 em Vacaria. A partir do apurado foram elaborados relatórios técnicos e determinado à prestadora de serviço a apresentação de planos de melhorias para o sistema de abastecimento.

Sobre essas não conformidades, Lutero explicou que a água disponibilizada nos municípios está dentro dos padrões de potabilidade. As inconformidades apontadas pela Agesan-RS são, segundo ele, por baixa pressão. “Como tivemos episódios de desabastecimento, o órgão regulador fez a fiscalização e identificou vários pontos com a pressão abaixo da necessária. Já estamos tratando disso, mas o importante é que não são inconformidades que trazem prejuízo à saúde”, argumentou.

Agesan confirma fiscalização e penalidades

Na quinta-feira (09 de abril), a Agesan-RS publicou uma nota sobre o desabastecimento e as condições da água nos 136 municípios sob sua regulação e com de 4,2 milhões de usuários de serviços de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos urbanos e drenagem urbana e manejo de águas pluviais. A agência confirma que na fiscalização dos serviços identificou centenas de não conformidades e penalizou a Corsan/Aegea por descumprimentos contratuais e normativos. Também subsidiou os executivos municipais com o seu arcabouço regulatório de evidências nas ações civis públicas e demandas do Ministério Público.

Afirma na nota ser fundamental a população gerar o protocolo em primeira instância com a Corsan/Aegea no número 0800 646 6444. Não solucionado o problema, em segunda instância com a Agesan-RS, no e-mail ouvidoria@agesan-rs.com.br e 0800 222 4022. O registro na Corsan/Aegea gera rastreio da quantidade de usuários afetados e medidas cabíveis.

Foto: Evandro Seixas/DPE

Confira a entrevista completa e mais informações no programa Studio News:

Texto por Monique Dieli Chiarentin / Grupo Studio 93

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