Municípios cobram soluções, notificam a Corsan e discutem revisão de contratos diante de falhas no fornecimento de água
Municípios da Serra Gaúcha intensificam a cobrança por soluções diante das recorrentes falhas no abastecimento de água e na gestão do saneamento básico. Em Farroupilha, a prefeitura firmou contrato com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), por meio do Instituto de Saneamento Ambiental (ISAM), para elaborar o Plano Municipal de Saneamento Básico. O documento vai orientar as políticas públicas pelos próximos 20 anos, com diagnóstico técnico sobre abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem pluvial e gestão de resíduos sólidos. O estudo terá duração de 18 meses, com participação da comunidade e base técnica para embasar futuras decisões sobre o modelo de gestão e possibilitar a captação de recursos federais e internacionais.
A iniciativa ocorre em meio às discussões sobre a concessão vigente. Em audiência pública na Câmara de Vereadores na semana passada, moradores relataram falta frequente de água, problemas na qualidade, cobranças consideradas abusivas e falhas em obras executadas pela Corsan. A companhia, privatizada e atualmente sob gestão da Aegea, mantém contrato com o município até 2033. A Agergs se colocou à disposição para fiscalizar as demandas, enquanto a Assembleia Legislativa anunciou a criação de uma comissão para avaliar os serviços prestados no Estado.
Em Vacaria, após o rompimento de uma rede deixar o município mais de 72 horas sem água na semana passada, o PROCON notificou a Aegea. A concessionária pode ser multada em até 50 mil VRMs. Encerrado o prazo de cinco dias para apresentação de um plano de ressarcimento, a Procuradoria-Geral do Município informou que está estruturando uma ação para encerrar o contrato com a Corsan, ainda sem prazo definido para o envio.
Já em Flores da Cunha, a prefeitura encaminhou ofícios à Agesan e à Corsan cobrando providências imediatas. O município solicitou abertura de processo administrativo, revisão de penalidades e a apresentação, em até 48 horas, de um plano de ação com cronograma e medidas emergenciais. Ainda de acordo com a prefeitura, nesta segunda-feira (30), a Corsan foi convocada para prestar esclarecimentos e anunciou a perfuração de cinco novos poços, além da apresentação de um cronograma atualizado de investimentos na próxima semana. A Agesan analisa as ocorrências e poderá aplicar penalidades caso sejam confirmadas irregularidades.
Em Veranópolis, moradores também relatam problemas no abastecimento. Na semana passada, a interrupção foi provocada por falha técnica no sistema de telemetria. Embora o serviço tenha sido parcialmente normalizado, há registros de instabilidade em bairros específicos, como o Medianeira. A moradora Joanna Peruffo afirma que a falta de água é antiga e se agravou nos últimos meses. Segundo ela, o abastecimento é irregular, com interrupções ao longo do dia e retorno apenas à noite. Moradores passaram a armazenar água como medida preventiva e relatam prejuízos, incluindo danos a equipamentos elétricos. Joanna também afirma ter aberto um inquérito no Ministério Público há alguns anos, sem avanços até o momento.
Até a publicação desta reportagem, não houve retorno oficial da Corsan nem da Agesan sobre os questionamentos apresentados nos municípios citados.
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