A decisão da Prefeitura de Caxias do Sul de não dar continuidade ao projeto da Policlínica, anunciada após reunião realizada na quinta-feira (5), provocou críticas vindas da deputada federal Denise Pessôa (PT-RS). A unidade receberia cerca de R$ 30 milhões do Governo Federal, por meio do Novo PAC, para ampliar a oferta de consultas especializadas, exames, diagnósticos e pequenos procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desse total, R$ 17,3 milhões seriam destinados à construção da unidade e R$ 12,7 milhões à aquisição de equipamentos.
Segundo a administração municipal, a desistência está relacionada à prioridade de manter os investimentos na atenção básica. O projeto previa, além dos recursos federais, uma contrapartida municipal de aproximadamente R$ 11 milhões, a disponibilização de um terreno no bairro Sanvitto e outros custos para equipar e manter a estrutura. A Prefeitura estima que o funcionamento da unidade exigiria cerca de R$ 60 milhões por ano.
A administração afirma que seguirá investindo na construção e reforma de Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Entre as obras citadas estão as unidades dos bairros Vila Romana, Vila Cristina, Nossa Senhora das Graças e Vila Ipê, além do projeto da UBS Caminho do Meio, entre os bairros Centenário e Fátima. De acordo com a Prefeitura, os investimentos municipais nas unidades em andamento ultrapassam R$ 14 milhões.
A deputada Denise Pessôa, no entanto, questiona a decisão e afirma que a desistência representa a perda de um recurso importante para a saúde pública. Denise também afirma que a Policlínica foi utilizada pela administração municipal como argumento para defender a contratação de um financiamento de até R$ 550 milhões. A operação de crédito estava autorizada pela Câmara de Vereadores desde 29 de outubro, uma semana antes do anúncio da desistência do projeto.
A parlamentar contesta os valores apresentados pela Prefeitura sobre os investimentos nas UBSs. Segundo o levantamento divulgado por seu gabinete, a contrapartida municipal nas quatro unidades com valores discriminados soma pouco mais de R$ 3,1 milhões. Os demais recursos incluem repasses federais e emendas parlamentares. Para Denise, os investimentos na atenção básica não substituem a necessidade de ampliar o atendimento especializado.
Caxias do Sul e Pelotas foram as únicas cidades gaúchas contempladas nessa etapa do programa federal. A deputada ressalta que trabalhou para garantir a inclusão do município na seleção do Ministério da Saúde e para prorrogar o prazo de implantação da unidade.
Denise cobra explicações da Prefeitura sobre a desistência e defende a apresentação de alternativas para reduzir as filas de espera por consultas, exames e diagnósticos especializados. Segundo ela, a Policlínica poderia contribuir para diminuir a demora no atendimento e evitar o agravamento de problemas de saúde da população.



