Post: Eleição da Hungria pode pôr fim à era Viktor Orban e remodelar Europa

Líder da ultradireita é o primeiro-ministro mais longevo do bloco europeu

Viktor Orbán, que conta com o apoio tanto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como do presidente da Rússia, Vladimir Putin, pode ver seu domínio de 16 anos chegar ao fim no domingo (12), ​segundo pesquisas de opinião.

Muitos húngaros acreditam que a eleição definirá o destino ​do país na Europa.

Orban, primeiro-ministro da União Europeia que está há mais tempo no cargo — ele comanda a Hungria desde 2010 –, consolidou seu poder ao restringir a mídia independente e direitos democráticos, construindo uma “democracia não-progressista” que lhe rendeu fãs na ultradireita europeia e no movimento Make America Great Again (MAGA) de Trump.

No entanto, três anos de estagnação econômica e aumento do custo de vida, juntamente com o enriquecimento de oligarcas próximos ao governo, frustraram os eleitores.

A campanha de Orban também foi abalada por relatos da imprensa de que seu governo fez conluio com Moscou.

Um ex-aliado de Orban, Peter Magyar conseguiu aproveitar com sucesso o descontentamento dos húngaros e seu partido de centro-direita, o Tisza, agora lidera confortavelmente a ⁠maioria das pesquisas de intenção de voto.

Mas analistas políticos também alertam para ​o fato de que os eleitores indecisos, o redesenho do mapa eleitoral em favor do Fidesz de Orban e a alta proporção de húngaros ​étnicos nos países vizinhos — que, em sua maioria, apoiam o partido governista — criam um clima de incerteza. Eles dizem que tudo é possível, desde uma supermaioria do Tisza ⁠até uma maioria do Fidesz.

Eleição importante

Há muito em jogo para a nação centro-europeia de ⁠9,6 milhões de habitantes e para o continente.

“Esta é uma das eleições mais importantes na Europa e para a Europa em muitos ​anos”, ‌disse Gregoire Roos, diretor dos Programas para a Europa, Rússia e Eurásia da Chatham House.

“Em Moscou, a Hungria tem sido vista como um precioso interlocutor problemático dentro da UE, mantendo ⁠laços energéticos… e adotando, de longe, o tom mais duro em relação à Ucrânia do que qualquer outro país da UE. Nos Estados Unidos, a Hungria tem chamado a atenção como um laboratório de política soberanista.”

O apoio público do governo Trump a Orban foi coroado esta semana com uma visita do vice-presidente dos EUA, JD Vance, que atacou o que chamou de ‌interferência “vergonhosa” da ⁠UE na votação. Um porta-voz ‌da Comissão Europeia disse que as eleições eram “a única escolha dos cidadãos”.

Moscou não demorou a seguir o exemplo. Na quarta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que “muitas forças na Europa, muitas forças em Bruxelas, não gostariam que Orban ganhasse as eleições novamente”.

A Hungria, que criticou as sanções da UE contra Moscou, continua fortemente dependente do petróleo e do gás ⁠russos. Citando uma disputa com Kiev sobre um oleoduto danificado pela guerra, Orban, 62 anos, bloqueou um ⁠empréstimo da UE para a Ucrânia acordado em dezembro, o mais recente de seus muitos conflitos com Bruxelas.

Visões contrastantes

O líder do Tisza, Magyar, 45 anos, prometeu reprimir a corrupção, liberar bilhões de euros de fundos ‌congelados da UE e taxar os mais ricos, além de reformar o combalido sistema de saúde húngaro.

Ele disse à Reuters que a eleição definirá se a Hungria poderá consolidar seu lugar como uma nação europeia e reavivar sua economia ou se aderirá ainda mais ao campo autoritário.

“Apenas alguns dias e veremos uma mudança de regime”, disse Magyar em um comício na cidade de Baja na quarta-feira, prometendo superar as divisões políticas entre os húngaros.

“Esta é a última chance… de evitar que nosso país se torne ‌um Estado fantoche russo… Não vamos permitir que o Fidesz… leve a Hungria para fora da UE.”

Orban diz que quer reformar a UE por dentro e não deixar o bloco. Ele tem enquadrado esta eleição como uma escolha difícil entre “guerra ou paz”, dizendo que seus oponentes arrastariam a Hungria para a guerra que está ocorrendo na ⁠Ucrânia. O Tisza nega a acusação.

“Esta eleição é sobre o futuro da Hungria. A escolha é clara: dependência e declínio ou soberania, força e paz”, disse Orban na terça-feira.

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