Vaticano e Casa Branca atingem ponto de ruptura após trocas de críticas públicas entre o pontífice e o presidente americano
A relação entre o Vaticano e a Casa Branca se deteriorou após trocas de críticas públicas entre o Papa Leão XIV e o presidente Donald Trump. O conflito escalou após o pontífice, em vigília na Basílica de São Pedro, clamar pelo fim da “idolatria ao dinheiro” e da “exibição de força”, em um apelo veemente pela paz no Oriente Médio. Em resposta, Trump declarou não ser “fã” do líder católico, classificando-o como “muito liberal”.
O estopim: o apelo do papa pela paz
No sábado (11), o Papa Leão XIV, de 70 anos, proferiu um discurso contundente contra o rearmamento e a “idolatria do dinheiro”. Sem citar nomes, o pontífice americano — eleito em 2025 e naturalizado peruano — pediu que governantes abandonem os planos de “ações de morte” e sentem-se à mesa do diálogo. “Basta de guerra! A verdadeira força se manifesta no serviço à vida”, implorou o Papa, focando na crise humanitária que assola o planeta.
A reação de Trump: ataques e acusações
No domingo (12), Donald Trump rebateu as declarações na Base Aérea de Andrews. O presidente acusou o Papa de não acreditar no combate ao crime e de “brincar com um país que quer uma arma nuclear”. Em sua rede Truth Social, Trump publicou acusações sem provas, alegando que Leão XIV:
- Apoia o programa nuclear iraniano;
- Opôs-se à operação militar na Venezuela;
- Reúne-se com opositores democratas.
Trump afirmou ainda que não aceita críticas de um Papa enquanto foca em “reduzir a criminalidade e criar o maior mercado de ações da história”. Para ilustrar sua posição, postou uma imagem gerada por IA onde aparece em um contexto messiânico, cercado por símbolos americanos.
A resposta do Vaticano: foco na neutralidade
Nesta segunda-feira (13), a bordo do avião papal rumo à Argélia, Leão XIV encerrou a possibilidade de uma escalada verbal. O pontífice afirmou que não é um político e que não tem intenção de entrar em debate com o presidente americano. “A mensagem continua sendo a mesma: promover a paz”, declarou aos jornalistas, reforçando sua postura de neutralidade política, apesar de suas críticas históricas a certas decisões do governo Trump.
Informações do Correio do Povo e AFP
Foto: ALBERTO PIZZOLI / POOL / AFP






