Post: Escalada no Estreito de Ormuz coloca ações da Petrobras no radar dos investidores

O agravamento da guerra entre Estados Unidos e Irã coloca o Estreito de Ormuz no centro das atenções do mercado financeiro e faz aumentar o interesse pelas ações da Petrobras.

O Ibovespa registra queda, o dólar avança e o petróleo Brent, referência internacional, volta a rondar os 80 dólares por barril, com alta superior a 4% no dia.

“Hoje, o clima é de cautela, mas ainda não dá para falar em pânico”, afirma Adriana Ricci, head de Operações e fundadora da SHS Investimentos.

Segundo a especialista, o risco de restrições na oferta de petróleo afeta de forma diferente os ativos, mas tende a direcionar parte dos investidores para empresas ligadas à produção da commodity.

Um dos principais sinais dessa preocupação aparece na curva futura do petróleo, que reúne contratos com diferentes datas de entrega.

O barril disponível no curto prazo custa mais do que os contratos com vencimentos distantes, movimento conhecido como backwardation. Na prática, isso acontece quando compradores aceitam pagar um valor maior para garantir o produto imediatamente.

“O mercado paga um prêmio real para ter petróleo disponível agora, o que indica que o risco de oferta não é visto apenas como ruído político. A diferença entre os contratos revela o receio de que o conflito afete rotas marítimas, terminais de exportação e o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz”, explica Adriana, que soma mais de 25 anos de atuação no mercado financeiro.

Segundo a especialista, a valorização do barril pode favorecer a Petrobras no curto prazo, já que preços internacionais mais altos tendem a aumentar as receitas associadas à produção e à exportação.

Esse movimento, porém, não garante uma trajetória contínua de alta para as ações, que também respondem ao câmbio, à política de preços, aos investimentos da companhia e às decisões sobre dividendos.

“Para quem já possui ações da Petrobras, a orientação geral continua sendo manter a posição e evitar decisões baseadas apenas na movimentação de poucos pregões. A tese da companhia não depende somente do preço do petróleo, porque também envolve a produção do pré-sal e a política de dividendos”, avalia Adriana.

A manutenção, segundo a especialista, faz mais sentido para o investidor que atua com horizonte de médio ou longo prazo e aceita as oscilações características do setor.

Também é necessário observar o peso da Petrobras na carteira, porque uma concentração excessiva aumenta a exposição a mudanças no petróleo, no câmbio e nas decisões relacionadas à estatal.

Para quem pensa em comprar ações após a valorização recente é bom considerar que parte da tensão já aparece nos preços.

“O petróleo pode continuar oferecendo suporte às ações da Petrobras enquanto houver receio de redução da oferta, mas a crise geopolítica não deve ser o único motivo para comprar, manter ou vender. O investidor precisa acompanhar os fundamentos da companhia e evitar movimentos impulsivos”, conclui Adriana Ricci.

 

Foto: Desenvolvido por IA

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