Post: Estado e CSG devem responder ao Legislativo de Caxias do Sul sobre obras de alteração de trevo de acesso a Monte Bérico

Pedido de informações foi aprovado por unanimidade na sessão ordinária desta terça-feira (28)
As alterações previstas no trevo de Monte Bérico com a execução das obras de duplicação de onze quilômetros da ERS-122 são objeto de um pedido de informações aprovado, em regime de urgência, na sessão ordinária desta terça-feira (28), na Câmara Municipal de Caxias do Sul.
A implantação de semáforos no local é resultado de uma ação civil pública em 2014, em virtude do elevado número de acidentes com morte no trecho. Durante a apreciação do projeto, o plenário esteve lotado de moradores da comunidade que querem impedir que a sinalização seja retirada com a duplicação do trecho.
Idealizado pela vereadora Sandra Bonetto/NOVO e outros quatro parlamentares, o Requerimento 1/2026 solicita à empresa concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG) e ao Governo do Estado que sejam respondidos sete questionamentos sobre o andamento da obra e as modificações que serão feitas no local.
Três deles buscam esclarecer se as comunidades de Santa Lúcia e de Monte Bérico, além das Associações de Moradores de ambas as localidades, não terem sido convocadas para conhecer o projeto antes da assinatura do contrato. Outro questionamento busca verificar se houve a realização de um estudo de impacto de tráfego para a nova configuração do trevo. Além disso, o pedido também solicita saber se o Ministério Público Estadual foi consultado sobre a alteração.
Ao se referir aos principais objetivos do requerimento, a proponente Sandra Bonetto explicou que o acesso à Monte Bérico tem problemas similares aos encontrados em Forqueta, uma vez que a comunidade não foi informada das mudanças que serão aplicadas com as mudanças no acesso à localidade que serão efetuadas no ano que vem. A principal preocupação reside na possibilidade de os semáforos serem retirados do local com a intervenção.
“Em Forqueta também, nós temos um acesso muito perigoso e não sabemos o que a CSG vai fazer em 2027, e não sabemos se esse acesso vai resolver. O que se sabe é que a comunidade de Monte Bérico, quando beneficiada com as sinaleiras, os acidentes cessaram. Se os acidentes cessaram, por que não deixar esse conjunto de sinaleiras lá? Não podemos retirar mecanismos de segurança que deram certo”, argumentou Sandra.
Na sua manifestação, a vereadora Marisol Santos/PSDB reiterou que a comunidade de Monte Bérico tem mais segurança no local desde a implantação dos semáforos. Ela comentou que acompanhou a luta dos moradores pela implantação de sinalização no trecho, diante dos constantes acidentes no local. “Desde a instalação das sinaleiras, a comunidade teve muito mais tranquilidade para acessar o bairro com segurança”, salientou.
Já o vereador João Uez/Republicanos, apesar de elogiar a duplicação da rodovia, também fez críticas ao que considera falta de diálogo com as comunidades afetadas pela obra. “A gente está elogiando as melhorias e a duplicação da rodovia, que é tão necessária, mas para fazer isso, o mínimo que se espera é ser consultado. Nós temos ações do Ministério Público que determinam a colocação de sinaleiras naquele local. Eles foram escutados?”, questionou o vereador.
Por sua vez, a vereadora Rose Frigeri/PT reiterou a importância do pedido de informações para avaliar com maior precisão o que está contido no projeto. “Eu acompanhei muito o debate em torno do tema na época e reduziu muito os acidentes”, explicou a vereadora.
Ao concordar com os posicionamentos, a vereadora Estela Balardin/PT disse que é necessário avaliar o quanto foi benéfica a sinalização no local, tendo em vista a redução significativa de acidentes desde a instalação do semáforo. “A gente não pode discutir somente de forma técnica essa questão, temos que discutir de forma humana. É sim uma decisão política não dialogar com a população”, explicou.
A vereadora Andressa Marques/PCdoB lembrou que qualquer decisão pública deveria levar em consideração a participação popular. “Infelizmente não temos essa prática na gestão pública, mas nós precisamos ouvir a comunidade. Estamos falando sobre a vida delas”, pontuou.
Na sua intervenção, o vereador Zé Dambrós/PSB diz que acompanhou as recentes manifestações pela manutenção da sinalização no trecho feitas pela comunidade. “Sou totalmente a favor da comunidade, nós precisamos manter a sinaleira. Se não tiver, tem que ter no mínimo um refúgio grande que dê segurança para os moradores”, destacou.
Da tribuna, Capitão Ramon/PL afirmou que compartilha da indignação da população ao não ser comunicada da natureza do projeto. “Estamos discutindo aqui sem conhecer o projeto, assim como nossos colegas vereadores que não foram consultados”, argumentou. Já o vereador Sandro Fantinel/Republicanos, afirmou que o novo projeto tem o potencial de causar mais acidentes. “Eu digo que é inviável e vai causar acidentes. Deveríamos nos unir e conversar com o governo federal para fazer uma elevada ali naquele local”, destacou.
O vereador Aldonei Machado/PSDB concordou com os parlamentares, ao afirmar que seria mais segura a construção de uma elevada no trecho. “O projeto tem que estar adequado à realidade de Monte Bérico e temos que cobrar para isso”, afirmou.
Com a aprovação, a CSG e o Governo do Estado têm um prazo de 30 dias para responder aos questionamentos do Legislativo. Além de Sandra Bonetto, também assinaram o requerimento os vereadores João Uez, Hiago Morandi/ NOVO, Elisandro Fiuza/Republicanos e Sandro Fantinel.
Foto: Rafael da Silva Carvalho

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