Dois anos atrás, vivemos a maior tragédia climática da história. As enchentes deixaram 185 mortos, devastaram municípios inteiros e provocaram um dano bilionário na estrutura viária. O único aeroporto internacional ficou fechado durante meses. Basicamente, o Rio Grande do Sul ficou isolado por via aérea. Em Porto Alegre, ao lado da rodoviária, a prefeitura teve de derrubar a passarela para abrir caminho para o chamado “ Corredor Humanitário”. Só assim, caminhões de carga conseguiam acessar a capital. A estimativa é que as cheias causaram um prejuízo econômico de R$87 bi e deixaram uma população inteira traumatizada e uma cicatriz incurável. Particularmente, me sinto privilegiado. Não fui diretamente afetado. Mas indiretamente, com certeza. Pessoas que conheço tiveram suas casas engolidas pela água. Um amigo que tinha um restaurante na zona norte de Porto Alegre, teve um prejuízo de mais de R$300 mil e acabou desistindo de empreender no Rio Grande do Sul. Se mudou para investir em outro estado. No Mercado Público, muitos pequenos empresários viram seus negócios falir. Só quem tinha mais fôlego financeiro conseguia prosseguir. Dois anos depois, me vêm à mente duas perguntas: o que você fez nesses dois anos para melhor a sua consciência ambiental? Outra ainda mais importante: quais são as medidas mais evidentes tomadas pelos governos para minimizar possíveis impactos futuros? Eu estou ainda mais vigilante com a necessidade de preservação. No entanto, não vi até agora nenhuma obra visível para reduzir nosso sofrimento. Semana passada ouvi a entrevista de um hidrólogo que presta consultoria para a prefeitura de Porto Alegre. Não tenho dúvida da qualidade profissional dele. Mundialmente respeitado, mas confesso que não senti segurança pelo que o poder público está fazendo. Me parece que o assunto está sendo colocado como prioridade no papel e não na prática. Hoje o jornalista Jocimar revelou que nesta semana a prefeitura deverá anunciar uma obra para evitar cheias . Paralelamente, o governador e o prefeito estão discutindo medidas para minimizar os efeitos das cheias. Agora, dois anos depois?
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