Inauguração será dia 10 de abril, no Bloco T, em área privilegiada de 500 metros quadrados
Vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação e criado para atuar na preservação e estudo da memória social e do patrimônio comunitário, o Instituto Memória Histórica e Cultural (IMHC) da Universidade de Caxias do Sul ganha novas instalações no Campus-Sede. Inaugura, no dia 10 de abril, um espaço totalmente reformulado no Bloco T, onde funcionava o estúdio da UCS TV, em área privilegiada de 500 metros quadrados e distribuída em quatro pavimentos.
“A mudança foi progressiva, desde agosto de 2024. Em 2011, conseguimos reunir toda a documentação histórica, programas e laboratório de ensino e pesquisas arqueológicas no Bloco 46, onde permanecemos até 2019, quando nos transferimos para o Bloco J até a sede atual”, recorda o professor e diretor do Instituto, Anthony Beux Tessari.
E as novidades vão além dos novos espaços. Na solenidade do dia 10 ocorre o lançamento do Centro Interdisciplinar de Estudos Italianos (CIEI) da UCS, com a missão de promover o estudo, a pesquisa e a disseminação da cultura italiana e europeia, reforçando sua importância para a Universidade. A proposta prevê a abordagem de temas contemporâneos e históricos com uma perspectiva multidisciplinar, a fim de fortalecer os laços culturais, acadêmicos e econômicos entre Brasil e Itália. O CIEI vai contar com apoio de instituições externas, incluindo segmentos do governo do país europeu. Para marcar a iniciativa, a cerimônia terá a presença de Valerio Caruso, cônsul-geral da Itália em Porto Alegre.
Qualificação
A nova estrutura do IMHC qualifica o trabalho de preservação dos acervos, com áreas climatizadas e salas apropriadas para o processamento da documentação. “A nova sede do Instituto demonstra a preocupação e o comprometimento que a UCS atribui à preservação da memória institucional e da cultura regional. E isso ganha maior significado com a proximidade do aniversário de 60 anos da Universidade, comemorado em fevereiro de 2027”, reitera Tessari, considerando ainda a melhor visibilidade que o IMHC passou a ter no Campus-Sede.
No hall de entrada foi criada uma área para exposições periódicas, onde atualmente está em cartaz uma mostra fotográfica, parte do acervo arqueológico e publicações produzidas pelo Instituto, entre elas Nova Prata, 100 anos: Patrimônio Cultural Imaterial das Comunidades Rurais, que ofereceu ao município subsídios para as comemorações do centenário. Os visitantes também podem conferir o documentário Cidade e Indústria em Foco: Caxias do Sul pelas lentes da Michelin Filmes. A obra faz parte do projeto de digitalização do acervo fílmico histórico sobre Caxias do Sul, com análises de especialistas sobre documentários, filmes-reportagem e filmes-propagandas produzidos entre 1960 e 1980 pela Michelin Filmes. Aliás, os equipamentos e o acervo, doados pela família de José Nazareno Michelin, que fundou a icônica produtora audiovisual de Caxias do Sul, estão em processo de digitalização, por meio de edital da Lei Paulo Gustavo, Instituto Estadual do Cinema do RS e Secretaria da Cultura do Estado (SEDAC/RS). O conteúdo deste projeto pode ser conferido neste link.
O IMHC mantém sua estrutura de serviços e programas, porém ainda melhor distribuídos no novo prédio, incluindo o Lepar (Laboratório de Ensino e Pesquisa Arqueológica) e o Projeto Iris (Investigação e Resgate da Imagem e Som), que abrange 400 películas fílmicas, 150 discos de vinil e numeroso acervo de equipamentos de cinema (câmeras, lentes, tripés e projetores). O Centro de Memória Regional do Judiciário (CMRJu) contempla 40 mil processos judiciais provenientes da 1ª Vara Cível de Caxias do Sul, servindo de laboratório de pesquisa para a proposta pedagógica de cursos de graduação, principalmente da área de Humanidades e Ciências Jurídicas. “Por meio de projetos de prestação de serviços, organização de acervos, ações educativas e participação em editais, que resultam em pesquisa histórica e escrita de livros, o Instituto tem contribuído para registrar a memória, produzir conhecimento histórico e difundir a cultura da região”, acrescenta Tessari.
As visitas-mediadas e as consultas aos acervos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 12h e das 13h às 17h30min, mediante agendamentos: pelo e-mail imhc@ucs.br ou pelo whatsapp (54) 3218-2167. “Nosso público se concentra entre estudantes do ensino fundamental e médio, graduação e pós-graduação, mas o espaço é aberto à comunidade. As visitas-mediadas duram em torno de 1h30min, quando o acervo é mobilizado para temas de história local e regional, patrimônio cultural, fontes históricas e preservação de documentos”, explica o coordenador.
A origem do IMHC
O Instituto Superior Brasileiro-Italiano de Estudos e Pesquisas, criado na UCS em 1974, é considerado o órgão de origem do IMHC. Após ser reformulado, em 1991, incorporou o Projeto Ecirs (Elementos Culturais da Imigração Italiana no Nordeste do RS) e o CEDOC (Centro de Documentação da Universidade de Caxias do Sul), denominando-se então Instituto Memória Histórica e Cultural. O Ecirs foi institucionalizado em 1978 e, hoje, possui o levantamento sistemático dos bens e valores culturais das comunidades rurais da Serra Gaúcha e áreas atingidas pela construção de barragens e de usinas hidrelétricas no Estado e em Santa Catarina. Possui cerca de 50 mil fotografias, 300 entrevistas e 400 canções da imigração.
O CEDOC surgiu em 1989 e atua na preservação do acervo histórico documental da Instituição e de suas atividades acadêmicas, bem como da cultura regional e outros itens considerados de relevância histórica. O Centro dispõe de mais de 60 mil fotografias, 200 mapas, 1,6 mil passaportes e coleções de obras, a exemplo de Laudelino Teixeira de Medeiros e da Estação Experimental de Viticultura e Enologia. O acervo da extinta UCS TV também faz parte deste fundo documental, com mais de 5 mil fitas de vídeo.
Lançamento do livro Imigrantes, Colonos e Cidadãos
Na cerimônia de inauguração do novo espaço do IMHC será lançado o livro Imigrantes, Colonos e Cidadãos: 150 anos da Imigração Italiana para o Sul do Brasil, organizado pelo reitor da UCS, professor Gelson Leonardo Rech, e pelo coordenador do Programa de Pós-Graduação em História, professor Roberto Radünz. A obra reúne um conjunto de estudos que analisam, sob múltiplas perspectivas, o fenômeno histórico imigratório e seus desdobramentos sociais, econômicos, culturais e religiosos no Rio Grande do Sul. Textos inéditos de pesquisas apresentadas no VI Simpósio Internacional e XVI Fórum de Estudos Ítalo-brasileiros, que ocorreram na UCS em 2025, fazem parte da publicação, que poderá ser encontrada na UCS Livraria.
Serviço
O quê: visitas-mediadas ao Instituto Memória Histórica e Cultural da UCS
Onde: Bloco T, no Campus-Sede
Quando: segunda a sexta-feira, das 8h30min às 12h e das 13h às 17h30min
Quanto: entrada franca, mediante agendamento prévio pelo e-mail imhc@ucs.br ou whatsapp (54) 3218-2167
Foto: Bruno Zulian







