Durante décadas, a gestão rodoviária foi baseada, em grande parte, na identificação de problemas já instalados.
Buracos, falhas na sinalização, desgaste do pavimento e outras ocorrências muitas vezes só eram percebidos após causarem transtornos, prejuízos operacionais ou colocarem a segurança em risco. Com o avanço da inteligência artificial e da digitalização, essa lógica começa a mudar.
Sistemas de monitoramento em tempo real, análise automatizada de dados e ferramentas de gestão digital estão permitindo que administradores rodoviários identifiquem anomalias com maior rapidez e antecipem intervenções antes que os problemas se agravem.
O resultado é uma atuação mais preventiva, com ganhos para a segurança viária, a conservação da infraestrutura e a eficiência logística.
Em Minas Gerais, por exemplo, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) registrou redução de 80% no número de buracos nas rodovias estaduais após a adoção de novas tecnologias de monitoramento.
Dados apresentados pela empresa Kartado, especializada na digitalização de informações para infraestrutura, também apontam redução significativa do tempo necessário para atividades operacionais, inspeções e geração de relatórios técnicos.
Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade patronal que reúne mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país, a principal contribuição dessas ferramentas está na capacidade de antecipar problemas e reduzir situações de risco antes que elas afetem quem está diariamente nas estradas.
“A grande mudança não está apenas na tecnologia. Está na capacidade de agir antes que o problema apareça para quem está dirigindo. Quanto mais cedo uma falha é identificada, menor é o risco para os motoristas e mais eficiente se torna a aplicação dos recursos destinados à conservação das rodovias”, afirma o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho.
Segundo ele, a digitalização representa uma oportunidade para aprimorar a gestão da infraestrutura sem perder de vista a necessidade de investimentos permanentes em manutenção.
“Quem transporta veículos percorre milhares de quilômetros por mês e conhece de perto os impactos provocados pela deterioração das estradas. A inteligência artificial cria a possibilidade de uma gestão mais preventiva e menos reativa. É uma mudança de cultura que pode trazer ganhos importantes para a segurança viária, para a logística e para a competitividade do país”, destaca.
Um dos exemplos dessa transformação é a BR-040, um dos principais corredores logísticos do Brasil.
Ao longo dos últimos anos, sistemas digitais permitiram registrar e acompanhar milhares de ocorrências relacionadas ao pavimento, à sinalização e a outros elementos da infraestrutura viária, facilitando a definição de prioridades e acelerando a execução de melhorias.
Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, o uso de inteligência artificial representa uma evolução natural diante da crescente complexidade da gestão rodoviária.
“O Brasil sempre discutiu como reparar os problemas das rodovias. A tecnologia permite começar a discutir como evitá-los. Essa é uma mudança que pode redefinir a forma como a infraestrutura viária será administrada nos próximos anos, trazendo mais eficiência para a gestão e mais segurança para quem depende das estradas para trabalhar e produzir”, afirma.
O Sinaceg defende que a modernização da malha rodoviária brasileira seja acompanhada por investimentos contínuos em conservação, ampliação da capacidade das vias e fiscalização.
Para a entidade, a combinação entre inovação tecnológica, planejamento e manutenção preventiva tem potencial para elevar os padrões de segurança, reduzir custos operacionais e fortalecer a logística nacional.
Foto: Imagem gerada por ChatGPT/IA / DINO







