Post: Menopausa pode confundir sintomas e dificultar o tratamento de doenças reumáticas

A menopausa é uma etapa natural da vida da mulher, mas as alterações hormonais que a acompanham podem trazer desafios adicionais para quem convive com doenças reumáticas.

Dores articulares, fadiga, distúrbios do sono, alterações de humor e redução da disposição são sintomas comuns tanto da menopausa quanto de diversas doenças reumáticas, tornando o diagnóstico e o tratamento mais complexos.

Os desafios dessa associação estarão em debate no 43º Congresso Brasileiro de Reumatologia, promovido pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), entre os dias 2 e 5 setembro, em Curitiba (PR).

Na conferência “Menopausa e doenças reumáticas: impacto clínico e desafios terapêuticos”, a reumatologista Dra. Luciana Feitosa Muniz, membro da Comissão de Artrite Reumatoide da SBR, discutirá os principais desafios clínicos dessa fase da vida e seus impactos no manejo das doenças reumáticas.

Segundo a especialista, reconhecer a origem desses sintomas é fundamental para evitar diagnósticos equivocados, tratamentos desnecessários ou a falsa impressão de que a doença reumática está fora de controle, quando parte das manifestações pode estar relacionada às mudanças hormonais características dessa fase.

“A menopausa exige uma avaliação ampla da mulher com doença reumática. Nem toda dor ou fadiga representa atividade da doença, assim como nem todos os sintomas podem ser atribuídos apenas às alterações hormonais. Diferenciar esses quadros é essencial para oferecer o tratamento mais adequado à paciente”, explica.

Além do controle da doença reumática, a especialista defende uma abordagem que contemple outros aspectos da saúde feminina, como saúde óssea, risco cardiovascular, qualidade do sono, saúde mental, função sexual e qualidade de vida devem fazer parte da avaliação clínica multidisciplinar.

A conferência também abordará as situações em que a reposição hormonal pode ser considerada, suas contraindicações, os potenciais benefícios e riscos e a importância de uma decisão individualizada, baseadas em evidências científicas e nas características de cada paciente.

Com o aumento da expectativa de vida, um número crescente de mulheres passa décadas no período pós-menopausa.

“Para as pacientes com doenças reumáticas, compreender como essas duas condições interagem é fundamental para preservar a autonomia, reduzir complicações e promover um envelhecimento mais saudável”, completa Dra. Luciana Muniz.

Doenças reumáticas no Brasil

Estima-se que as doenças reumáticas já afetam mais de 15 milhões de brasileiros. Em geral, provocam muitas dores nos pacientes e representam uma das maiores causas de afastamento do trabalho e de aposentadorias por invalidez.

Entre as principais doenças reumáticas estão Artrite Reumatoide, Osteoartrite/Artrose, Espondiloartrites, Artrite Psoriásica, Lombalgia, Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), Fibromialgia, Osteoporose, Gota, Febre Reumática, Vasculites, Doença de Sjögren, Doença de Behçet e Esclerose Sistêmica (ES).

Muitas dessas condições estão entre as maiores causas de dor crônica, incapacidade funcional, afastamento do trabalho e perda de qualidade de vida.

 

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