Declaração ocorreu em meio à intensificação de ataques na região e avanço de tropas de Israel
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, pediu a anexação do sul do Líbano, afirmando que o país deveria estender sua fronteira até o rio Litani, enquanto tropas israelenses bombardeavam pontes e destruíam casas na região em uma ofensiva militar cada vez mais intensa.
As declarações foram as mais explícitas já feitas por uma autoridade israelense de alto escalão sobre a tomada de território libanês, em um conflito que, segundo Israel, tem como alvo militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã.
O Líbano passou a integrar a guerra regional em 2 de março, quando o Hezbollah disparou mísseis contra Israel em apoio ao Irã.
Desde então, Israel ordenou a evacuação de todos os residentes ao sul do rio Litani, área que vem sendo alvo de bombardeios aéreos por ser considerada um reduto do grupo.
Nesta segunda-feira (23), um ataque israelense em Beirute matou um comandante da Força Quds, da Guarda Revolucionária do Irã, de acordo com o Exército israelense.
Autoridades libanesas informaram que as ofensivas aéreas e terrestres de Israel já mataram mais de 1.000 pessoas e forçaram mais de um milhão a deixarem suas casas.
Em entrevista a um programa de rádio israelense, Smotrich disse que a campanha militar “precisa terminar com uma realidade totalmente diferente, tanto com a decisão do Hezbollah quanto com a mudança das fronteiras de Israel”.
“Eu digo aqui definitivamente… em todas as salas e em todas as discussões também: a nova fronteira israelense deve ser o Litani”, declarou.
Um oficial militar israelense destacou que não poderia comentar declarações de políticos ou planos de longo prazo do governo, mas afirmou que as tropas terrestres estão limitando suas ações a áreas próximas à fronteira, longe do rio Litani.
Líder de um pequeno partido de extrema-direita no governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Smotrich frequentemente faz declarações que vão além da política oficial israelense. O gabinete de Netanyahu não respondeu a pedidos de comentário.
Já o ministro da Defesa, Israel Katz, indicou no início do mês que o Líbano poderia enfrentar “perda de território” caso não desarme o Hezbollah.
As falas de Smotrich repercutiram no Líbano, que busca superar décadas de invasões e ocupações por parte de Israel.
O país foi alvo de ataques desde 1978, e o sul libanês permaneceu ocupado entre 1982 e 2000.
Uma autoridade libanesa compartilhou que Beirute ainda conta com pressão internacional para encerrar o conflito, mencionando uma proposta do presidente Joseph Aoun para a realização de conversas diretas.
Smotrich também defendeu que Israel anexe áreas sob seu controle na Faixa de Gaza, até uma linha de armistício com o Hamas. Um cessar-fogo firmado em outubro deixou Israel no controle de 53% do território, onde houve ordens de evacuação e demolição de edifícios.
Informações da CNN Brasil
Foto: REUTERS/Tyrone







