Quando viajo para fora do Brasil, muitas coisas chamam atenção: cultura, hábitos, história, e infra-estrutura. Mas duas são mais evidentes: segurança e respeito pelo passado. Venho refletindo sobre isso há muitos anos, mas nessa semana isso ficou ainda evidente ao sair da fantástica Galeria Uffizi que reúne a maior coleção de obras do Renascimento no mundo. Ao deixar o prédio que estava lotado, caminhei 350 metros até a rua Georgofili (uma rua, isso mesmo) que virou praticamente um ponto turístico em Florença, embora seja para lembrar um ataque terrorista da máfia. Em maio de 1933, a Cosa Nostra estacionou uma van com 227 quilos de dinamite. A explosão matou 5 pessoas e deixou mais de 30 feridos. No lugar onde o veículo foi estacionado, existe uma escultura de bronze como forma de pedir paz. Quanto tempo será que a estátua duraria do Brasil até ser arrancada e vendida? Basta sair às ruas no Brasil para perceber como alguns brasileiros maltratam nossa história. O histórico viaduto da avenida Borges Medeiros, em Porto Alegre, nem terminou de ser restaurado e já foi vandalizado. A prefeitura teve de agir e limpar a tinta. Eu poderia citar outras dezenas de exemplos, mas vou falar só mais um que me incomoda pois passo ali diariamente. A bela escultura equestre de Bento Gonçalves na frente do colégio público mais tradicional do estado, Júlio de Castilhos está coberta de tinta spray e as letras em bronze foram arrancadas. Outra coisa que desconcerta é a segurança da qual os europeus, em geral, desfrutam. Domingo, 21h30, praça principal de Siena cheia. Famílias italianas e turistas aproveitando a praça para o lazer à noite, sem temor algum. Sentei à mesa de um restaurante na praça e disse ao garçom que isso seria inconcebível no Brasil. Tudo isso me deixa com a convicção de que naturalizamos nossos problemas.
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