Pesquisa “Viver nas Cidades – Mulheres 2026”, realizada pela Ipsos-Ipec, foi lançada nesta quinta-feira (5). Espaços públicos são os principais locais de assédio na capital. Homens e mulheres divergem sobre a divisão de tarefas
A “Pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres 2026”, lançada nesta quinta-feira (5), revela um contraste na rotina das porto-alegrenses: enquanto a capital aparece entre as que menos reconhecem desigualdade na divisão das tarefas domésticas, é justamente nela que o maior percentual de mulheres relata ter enfrentado algum tipo de assédio.
A pesquisa, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e a Ipsos-Ipec, tem como principal objetivo mapear como mulheres e homens de dez capitais brasileiras percebem questões ligadas à desigualdade de gênero, abordando desde a divisão das tarefas domésticas até episódios de assédio e violência. O trabalho entrevistou 3,5 mil pessoas de forma online entre 1º e 27 de dezembro de 2025.
Os dados, coletados entre dezembro de 2025 com moradoras conectadas à internet, mostram que 82% das mulheres de Porto Alegre afirmam ter sido vítimas de assédio em pelo menos um dos seis ambientes analisados. Este é o maior patamar entre as dez capitais pesquisadas, acima, inclusive, da média nacional (71%). Confira a tabela abaixo.
Vítimas de assédio
| Capitais | 2024 | 2025 |
| Porto Alegre | 79% | 82% |
| Belém | 70% | 79% |
| Recife | 77% | 72% |
| São Paulo | 74% | 72% |
| Manaus | 72% | 72% |
| Goiânia | 76% | 71% |
| Rio de Janeiro | 77% | 69% |
| Belo Horizonte | 68% | 69% |
| Salvador | 73% | 68% |
| Fortaleza | 68% | 68% |
| Total da amostra | 74% | 71% |
Entre os locais onde o assédio mais acontece em Porto Alegre, os espaços públicos se destacam.
- Ruas, praças e parques concentram 66% das ocorrências relatadas pelas porto-alegrenses, um aumento em relação à edição anterior do estudo;
- O transporte público aparece logo na sequência, sendo citado por 59% das mulheres da capital;
- Também cresceu a proporção de assédio em bares e casas noturnas, que chega a 49% das mulheres, segundo os dados mais recentes.
Percepção da divisão das tarefas domésticas
O cenário de violência fora de casa parece menos evidente dentro do lar aos olhos dos moradores da cidade. Apenas 34% dos entrevistados dizem que as mulheres acabam realizando a maior parte das tarefas do dia a dia, como limpeza, preparo de refeições e organização da casa.
O percentual é o menor entre as capitais incluídas no levantamento.
Percepção sobre a divisão das tarefas domésticas
| Capitais | 2024 | 2025 |
| Rio de Janeiro | 35% | 40% |
| São Paulo | 35% | 40% |
| Fortaleza | 40% | 39% |
| Salvador | 38% | 39% |
| Goiânia | 38% | 38% |
| Recife | 40% | 37% |
| Belo Horizonte | 35% | 37% |
| Manaus | 38% | 35% |
| Belém | 37% | 35% |
| Porto Alegre | 34% | 34% |
| Total da Amostra | 36% | 39% |
Mesmo assim, a pesquisa mostra que a percepção continua dividida entre os gêneros: as mulheres tendem a reconhecer maior sobrecarga feminina, enquanto os homens apontam mais equilíbrio.
Medidas prioritárias para enfrentar violência contra mulheres
Quando perguntados sobre quais ações devem ser priorizadas no combate à violência doméstica e familiar, moradores de Porto Alegre colocam como principal medida o endurecimento das penas para agressores, com 60% das menções.
Na sequência, aparecem:
- Ampliação dos serviços de proteção às mulheres em todas as regiões da cidade (47%);
- Agilidade na investigação das denúncias (37%).
Informações do Portal G1 RS
Foto: Marcelo Viola/PMPA







