Mudança de comportamento do consumidor deve ajudar atividade
Um dos setores que enfrenta crise no Rio Grande do Sul prepara uma reação entre abril e junho. Os produtores de leite esperam que os preços do produto subam impulsionados por mudanças sazonais no consumo. O retorno às aulas tende a elevar a demanda, assim como a queda nas temperaturas. “Outono e inverno normalmente favorecem o consumo de leite e derivados, o que contribui para uma recuperação gradual dos preços”, explicou o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang.
Isso deve ocorrer após um cenário especialmente difícil para as propriedades leiteiras. Segundo o dirigente, janeiro e fevereiro foram meses em que determinados produtores optaram por vender parte do rebanho ou apelar para empréstimos para cobrir as despesas em razão de o preço não compensar os custos do trabalho.
“Muitos produtores estão recebendo menos pelo litro entregue ao laticínio do que gastam para produzi-lo. Isso obriga o produtor a buscar alternativas para manter a atividade”, observou.
Na avaliação de Tang, o problema no Rio Grande do Sul é agravado por fatores climáticos, que dificultam a produção de alimento para os animais, que representa um dos principais componentes no custo. “Quando o produtor não consegue produzir pastagem ou silagem suficientes, precisa comprar insumos no mercado, o que reduz ainda mais a margem de lucro da atividade”, explica.
O clima mais ameno também pode contribuir para reduzir o estresse térmico das vacas, o que melhora a produção. “Além disso, após a colheita de grãos, muitos produtores conseguem implantar pastagens de inverno, reduzindo gastos com alimentação”, lembra Tang.
Segundo o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul (ILC), divulgado em março, mas referente a janeiro, o preço repassado aos produtores de leite do RS caiu 24%, enquanto os custos recuaram apenas 4,99%.
Informações do Correio do Povo
Foto: Luiz Henrique Magnante / Embrapa Trigo / CP







