Post: “Posso morrer presa”, diz Cristina Kirchner em megajulgamento por corrupção na Argentina

Ex-presidente argentina cumpre pena domiciliar e acusa Poder Judiciário de perseguição política para anular sua influência

“Posso morrer presa com este Poder Judiciário”, disse a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar por corrupção. A declaração ocorreu em uma audiência nesta terça-feira (17), durante um processo no qual ela é acusada de integrar uma suposta rede de subornos entre políticos e empresários nos anos 2000.

A ex-presidente (2007-2015), de 73 anos, cumpre pena de seis anos de prisão desde junho passado e usa tornozeleira eletrônica. Kirchner classifica ambos os processos judiciais como “práticas mafiosas entre juízes e promotores” para anular sua influência política.

Críticas ao judiciário e a Milei

A rival do presidente ultraliberal Javier Milei afirmou que “em algum momento isso vai acabar”. “As pessoas precisam ter uma vida, não de luxo, mas saber que vão conseguir pagar o aluguel, as despesas”, disse no tribunal em Buenos Aires.

Esta foi a primeira audiência presencial do megajulgamento iniciado em novembro, que até então ocorria por videoconferência. A ex-presidente, assim como outros 85 ex-funcionários e empresários, é acusada de formar uma “associação criminosa” entre 2003 e 2015 para receber propinas em contratos de obras públicas.

Segundo a acusação, Kirchner foi “a principal destinatária” de um esquema iniciado durante o governo de seu marido e antecessor, Néstor Kirchner. “Agora resulta que sou a chefe de uma associação criminosa com todos os empresários da República Argentina”, afirmou com ironia.

Ela complementou: “Sério? Têm o direito de perseguir, porque a história agora se alimenta de perseguições, mas, por favor, sejam mais coerentes.” Kirchner também acusou Milei de violar a Constituição ao afirmar, há duas semanas, que sua líder política “vai continuar presa”.

Defesa e futuro do julgamento

Kirchner deixou o tribunal sem responder às perguntas, afirmando que se recusa a “fazer parte deste circo”. Centenas de apoiadores se reuniram diante de sua residência em Buenos Aires com bandeiras argentinas, exibindo uma grande faixa com a mensagem “Cristina livre”.

A defesa apresentou diversos pedidos de nulidade, todos rejeitados. O principal elemento da acusação são anotações manuscritas de um motorista do extinto Ministério do Planejamento Federal sobre supostos pagamentos, que a defesa considera falsas.

Se for considerada culpada, Kirchner pode ser condenada a até 10 anos de prisão, podendo solicitar prisão domiciliar. O julgamento pode se estender além de 2026, com mais de cem testemunhas previstas.

Informações do Correio do Povo e AFP

Foto: EMILIANO LASALVIA / AFP

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