Post: AS ÁRVERES SOMOS NOZES

E os jardineiros Pecan

Lá pelos anos de 2007 um vídeo viralizou, onde um cantor gospel, Zé Maria, tentava gravar uma música, e ao declamar uma frase, trocou “árvores” por “árveres” e “nós” por “nozes”. Surgiu então o famoso bordão “O jardineiro é Jesus, e as árveres somos nozes.”

Memes e erros à parte, concordo com Zé Maria, nós somos as árvores. Sem elas não tem vida, não tem sombra, não tem oxigênio, não têm purificação do ar, não tem frutos, não têm biodiversidade, não tem sustentabilidade.

Mas quem sou eu né, pra dar palpite numa coisa tão óbvia e comprovada. Quem sabe mesmo não são os agrônomos, ambientalistas, especialistas. Quem sabe, aparentemente, são os desmatadores, achistas e burocratas.

A poda e manejo é, sim, essencial, já que nós construímos e expandimos nossas cidades pra dentro das matas. Mas preservar também é essencial. A poda radical, que é a remoção de mais de 70% da parte aérea de uma árvore, pode levar à morte da mesma. Pra fazer, tem que saber, tem que entender. Segundo o fundador da SBAU (Sociedade Brasileira de Arborização Urbana), o biólogo Flávio Barcelos Oliveira, “A melhor poda é aquela que parece que não foi feita”. Simples assim.

Eu sou, vergonhosamente, motivo de piada em casa por uma poda radical mal feita. Um arbusto no jardim estava impedindo a entrada em casa. Acabei, sem querer, matando o meu estimado. Assassina do arbusto, fui julgada e considerada culpada no tribunal doméstico. Condenada à prisão perpétua do alvo de piadas nos churrascos de domingo, tentei me redimir plantando dois novos arbustos no mesmo lugar, que agora avançam pela entrada da casa sem que eu toque neles, esperando um jardineiro que entenda do assunto para fazer a poda.

As cidades, e são muitas, que permitem ou estimulam a poda radical são ainda mais inconsequentes do que eu fui.

Precisamos podar para evitar acidentes com árvores, que estão inocentes e simplesmente crescendo, se entremeando aos cabos de energia. Devemos manejar para evitar quedas de galhos podres causando acidentes. Devemos limpar para evitar o acúmulo de folhas que entopem encanamentos e retém lixo. Mas, e esse mas é mais importante do que a necessidade de podar, tem que ser feito por quem sabe e com critérios. Dá trabalho, mas menos do que as consequências do extermínio das árvores.

Pensar que a poda radical ou cortar uma árvore é mais fácil do que manejar é de um imediatismo, mal-intencionado ou não, no mínimo burro. Nosso dever, como seres humanos que precisam das árvores para sobreviver, é cuidar das árvores, porque afinal, as árvores somos nozes.

 

Ilustração : Iotti

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