Em mais 30 anos de jornalismo, já vi de tudo em matéria de esconder dinheiro. Situações cômicas, se não fossem trágicas. Dinheiro na cueca, no sutiã, no sapato, na geladeira, no forro da parede da casa e atrás do vaso sanitário. Mas nunca vi dinheiro atirado pela janela. Nessa semana, agentes da Polícia Federal foram até um prédio em Balneário Camboriú cumprir mandado de busca e apreensão pela terceira fase da operação do caso do banco Master. Essa fase investiga o envolvimento da Rioprevidência no esquema. Ao se aproximarem do prédio, os agentes viram uma cena surreal: uma bolsa sendo arremessada da janela. A bolsa caiu no pátio do prédio vizinho e o dinheiro se espalhou pelo chão. O mais curioso é que o homem que jogou a bolsa sequer era investigado. Isso demonstra o desespero dos investigados em se livrar de provas que possam comprometê-los. Quem também está intimamente envolvido com o caso e fez de tudo para se blindar foi o ministro do STF, Dias Toffoli. No celular do dono do banco, Daniel Vorcaro, apreendido pela PF, havia uma série de mensagens. Isso escancara a proximidade de um ministro da mais alta corte brasileira e um golpista no centro do maior escândalo financeiro do país. Finalmente, ele decidiu abrir mão do cargo relator do caso. Mas sua credibilidade foi profundamente abalada. Tão chocante quanto o caso em si e ver a leniência de algumas autoridades sobre o caso. O portal do CNJ, conselho criado para vigiar os abusos do Judiciário, não faz sequer uma menção ao caso. Ainda bem que a Polícia Federal está atenta e fazendo seu papel.
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