Foto Diego Dias
O consumidor gaúcho começou o ano mais endividado e com maiores dificuldades de recuperação de crédito em relação ao início de 2025. É o que demonstram os dados divulgados pela Federação Varejista do RS, única operadora SPC Brasil, de onde são gerados os dados do levantamento, no estado. “A inadimplência e o atual momento de dificuldade vinha se desenhando, pois a cada adversidade que se apresentou, como secas e enchentes, as soluções apresentadas pelo Poder Público na reestruturação da economia foram muito aquém do que era necessário. Isso agora se visualiza em números”, destaca o presidente Ivonei Pioner.
Entre janeiro de 2026 e o mesmo mês de 2025, houve aumento de 9,19% no número de inadimplentes, abaixo dos índices da Região Sul (9,33%) e nacionais (9,39%). O volume de dívidas em atraso por consumidor gaúcho avançou 18,24%, superior às médias regional e nacional.
Em 87% dos casos, os inadimplentes são considerados reincidentes. Significa que se mantiveram no registro de devedores ao longo dos últimos 12 meses ou saíram e retornaram durante este período. O levantamento aponta que, mesmo que 42% dos inadimplentes tenham dívidas de até R$ 1 mil, a média da soma de valores em atraso foi de R$ 5.264,13 em janeiro de 2026, mais do que o dobro dos R$ 2.126,20 pagos, em média, por quem conseguiu recuperar o crédito neste mês – 66,5% das recuperações de crédito tiveram pagamentos de até R$ 500 em janeiro.
O maior alerta está nas dívidas de longa duração. O tempo médio de atraso de contas é de 28 meses entre os consumidores gaúchos. São 35% dos devedores com dívidas entre um e três anos. Dado que é corroborado com o levantamento de recuperação de crédito. Houve queda de 14,5% na recuperação no Rio Grande do Sul no comparativo com janeiro de 2025, índice pior do que na Região Sul (-11%) e no Brasil (-7as %).
Tarifaço americano ainda repercute
Foto Zéto Telöken
As tarifas impostas em agosto do ano passado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros seguem prejudicando as exportações da indústria gaúcha. Em cartas encaminhadas ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e ao presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, a Federação das Indústrias do Estado (Fiergs) expôs a relevância da situação e solicita que as negociações bilaterais sejam retomadas para atenuar ou eliminar as tarifas ainda vigentes.
No texto, o presidente da entidade, Claudio Bier, reconhece as ações do governo federal e da CNI para mitigar os impactos das tarifas, mas faz um alerta. “Apesar das concessões pontuais do governo norte-americano, a imprevisibilidade para os exportadores brasileiros persiste, afetando decisões de investimento, produção e emprego. Não podemos nos conformar com a situação atual, que permanece grave”, reforçou.
Levantamento da federação aponta que, após crescimento de 9% até julho de 2025, as exportações gaúchas para os Estados Unidos passaram a registrar quedas mensais a partir de agosto. Nos últimos cinco meses do ano, recuaram 37% frente ao mesmo período de 2024, levando a uma retração anual de 10,9% (US$ 200,5 milhões). Entre agosto e dezembro, os embarques da indústria de transformação somaram US$ 497,7 milhões – US$ 292 milhões a menos que no ano anterior. Os segmentos mais afetados, com quedas superiores a 50%, foram tabaco, armas e munições, veículos e autopeças, madeira, móveis, borracha e couro.
Inédito concurso de suco de uva
Foto ABE, Divulgação
A Associação Brasileira de Enologia (ABE) abre na segunda-feira (23) o período de inscrições ao Concurso do Suco de Uva Brasileiro. Vinícolas de todo o país poderão inscrever as amostras na iniciativa inédita, que marca o primeiro concurso do mundo dedicado exclusivamente à avaliação técnica e profissional da bebida.
Produtores registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária, em conformidade com a legislação vigente, poderão inscrever as amostras até 13 de março, no site www.enologia.org.br. O presidente da ABE, Mário Lucas Ieggli, reforça que este é um momento histórico para o setor. “O suco de uva brasileiro alcançou maturidade de mercado e reconhecimento junto ao consumidor. Era o momento de criarmos um espaço exclusivo de avaliação técnica, com critérios profissionais e metodologia própria, que estimule a qualificação e reconheça a excelência do produto”, destaca.
O lançamento do concurso acompanha o crescimento expressivo do consumo no Brasil. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária indicam aumento de 52% no consumo nacional entre 2016 e 2023, alcançando cerca de 275 milhões de litros por ano. As amostras serão avaliadas às cegas nos dias 9 e 10 de abril por um painel de degustadores especializados. A divulgação oficial dos resultados ocorre em 11 de abril.









