Post: MORRI E VIREI UMA BUNDA

Mas também posso ser peitos ou quadris

 

Como diz a presença do presente do subjuntivo, não há o que não haja! E complemento: Se ainda não há, em breve haverá!

A nova moda de quem não tem mais lugar inútil onde enfiar o dinheiro, já que útil e necessário ele é em muitos lugares em crise no mundo, vejam só, é pagar cerca de 10 mil dólares _ valores que variam para mais ou menos, dependendo do local do corpo e quantidade _ e usar gordura de cadáveres para fazer preenchimento estético.

Bundão, peitão e quadrilzão de fazer o doador se revirar no túmulo.

Fabricada pela Tiger Aesthetics com o nome de AlloClae, o preenchedor mágico promete rapidez, segurança e excelentes resultados, pelas palavras de seus defensores. O fabricante diz que a ‘matéria prima’ é filtrada, fervida, coada e armazenada em barris de carvalho para segurança e manutenção. Mentira, eles dizem que o material é esterelizado e livre de DNA, mas eu não coloco minha mãozinha gorda no fogo senão já vão querer utilizar pra preencher os buracos existenciais de alguém.

Isso mesmo, quem não tem mais o que fazer e só pensa em usar a pesquisa científica para fins estéticos, me desculpe, eu julgo!

Aiiiiin, mas eu queria os seios maiores … isso atrapalha minha vida… Não alecrim dourado, você pode botar peitos e bundas, mas enquanto não olhar para o que está acontecendo no mundo ao seu redor, e se der conta de que não é o sutiã tamanho 48D que vai fazer o mundo e o seu mundo melhorar, não vai ter cemitério e defunto que te preencha.

Tem a questão do consentimento do doador, o que também acho duvidoso, pois doar o corpo para pesquisa científica não é a mesma coisa que doar para a indústria da produção de argamassa corporal.

O tal procedimento, alertam os especialistas, não foi estudado e testado o suficiente para ser aprovado sem restrições. Mas imagino que todas aquelas pessoas que não queriam tomar vacinas por precaução médica não vão querer usar um produto assim, não é mesmo? Ops, parece que nos Estados Unidos já foi aprovado, mas felizmente no Brasil e no resto precavido do mundo, não.

Agora usando de menos acidez hialurônica, não  sou contra procedimentos estéticos. Quem quer faz, quem não quer não faz. Mas me deixem ser crítica sobre a bizarrice de utilizar gordura de defuntos e ainda usar como marketing que a técnica é uma forma de reciclagem dos tecidos humanos. Sim, eles disseram isso.

Querem reciclar tecidos humanos? Não atrapalhem as pesquisas com celulas-tronco. Não misturem religião com ciência. Deixem as mulheres decidirem o que querem fazer com seus corpos. Não espere alguém morrer pra reciclar as idéias e gorduras.

O Cremesp já emitiu alerta sobre o uso do produto, e façam a contagem regressiva para os picaretas que se dizem especialistas estéticos de instagram começarem a vender o tal procedimento.

Da minha parte já aviso, sou doadora registrada de órgãos, e quero que todo resto seja cremado, para minha gordura, finalmente, ser toda queimada sem precisar ir pra academia nem acabar na bunda de alguém.

 

 

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