Post: O DIA DE TATIANA BONDARCHUK

Se você nunca ouviu falar dela, preste mais atenção nas mulheres da sua vida.

Eu só conheci ela de verdade e um pouco mais agora, pensando sobre o dia da mulher, no mês da mulher, que por sinal teve uma das origens não como homenagem fofa e propagandas pra vender amor embalado, mas numa greve de operárias na Rússia em 1917.

Tatiana Bondarchuk é minha avó materna, que pra mim era uma mulher quieta, do lar, às vezes muito séria, e que cozinhava e cuidava extremamente bem da casa. Ponto.

Morreu com 50 e poucos anos, mas poderia ter vivido muito mais ou muito menos, pelas condições em que nasceu e viveu até chegar ao Brasil.

Ela nasceu na Bielorussia, e teve 6 filhos. Perdeu 2 ainda pequenos de causas nada naturais, assim como o primeiro marido. Passou pela guerra, pela fome, pela vida de imigrante e de ser a mulher de um homem forte e carismático. Criou os filhos e a neta, e morreu, hoje numa idade considerada jovem, mas com uma aparência hoje considerada de uma velhinha.

Mas por que a vida dessa dona de casa interessa, se não é pra ter um livro ou filme como protagonista por causa de tantas tragédias por que passou?

Interessa porque faz pensar em quem são as avós, mães, irmãs, filhas, tias, primas, amigas, vizinhas e desconhecidas que não são o que parecem e o que acreditamos que são.

Mulheres que veem os maridos ou filhos ou colegas serem aclamados por seus feitos sem que nunca tenham oportunidade de falar, mostrar, ou simplesmente viver os seus.

São as que sofreram caladas pela aparente invisibilidade do seu ser, pelas dores da vida, pelo trabalho sem fim, sem remuneração ou consideração dentro/fora de casa, as que são mães solo, as que não querem ser mães, as que sofrem por amor ou por falta dele. As que são discriminadas, mal remuneradas, oprimidas, violentadas, assassinadas.

E hoje não posso parar de pensar em como gostaria de ter conhecido minha avó antes e entender tudo de maravilhoso que ela fez, para além do semblante sério, que agora entendo que era fruto dos traumas que sofreu.

Como é importante todos nós conhecermos as histórias para além das aparências e relações cotidianas das mulheres da nossa vida, talvez até começando pela origem do dia e mês da mulher.

Então aproveite e pense em quem são as mulheres da sua vida, ao seu redor, e em tudo que elas fizeram, conscientemente ou não, para que a gente chegasse até aqui, hoje, lutando por uma vida mais digna, contra todas as violências em diferentes graus que sofremos, e como podemos construir relações melhores conhecendo e valorizando a nossa própria história.

Feliz todos-os-dias para minhas avós, mãe, filha, tias, primas, outras filhas, cunhadas, amigas e mulheres que não conheço mas que são cheias de história pra contar.

Na foto, Anna Bondarchuk, mãe e imagem e semelhança de Tatiana. Anna é minha bisavó, que não conheci, mas tem uma história ainda mais épica que um dia vou contar pra vocês.

Anna Bondarchuk, mãe de Tatiana Bondarchuk e bisavó de Anna Tscherdantzew

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