Polêmica com governo exclui o principal atacante do time em meio a tensão política
O atacante Sardar Azmoun, um dos principais jogadores do Irã, foi expulso da seleção nacional por um suposto ato de deslealdade ao governo, segundo a imprensa iraniana, o que torna improvável sua participação na Copa do Mundo.
A presença do Irã no torneio já vinha sendo cercada de incertezas em meio ao conflito em curso com os Estados Unidos, um dos coanfitriões da competição, que será realizada entre 11 de junho e 19 de julho em parceria com México e Canadá.
Caso a seleção iraniana — conhecida como Team Melli — participe da fase de grupos, deve entrar enfraquecida sem Azmoun. O atacante soma 57 gols em 91 partidas internacionais desde sua estreia, ainda adolescente, em 2014.
Atualmente no Shabab Al-Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, Azmoun provocou reação das autoridades iranianas ao publicar em seu Instagram uma foto de um encontro com Mohammed bin Rashid Al Maktoum, governante de Dubai.
O episódio ocorre em um contexto de escalada militar: o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra os Emirados Árabes Unidos após bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
De acordo com a agência Fars News Agency, ligada à Guarda Revolucionária, uma fonte interna da seleção confirmou a exclusão do jogador.
Imagens removidas
Azmoun apagou posteriormente as fotos, mas ainda assim foi duramente criticado na televisão estatal. O comentarista esportivo Mohammad Misaghi classificou a atitude como desleal.
“É lamentável que você não tenha discernimento para entender qual comportamento é apropriado em determinado momento”, afirmou Misaghi. “Não devemos suavizar as palavras com esse tipo de pessoa. Deve-se dizer que não é digno de vestir a camisa da seleção.”
“Não temos paciência para esse comportamento infantil. Jogadores da seleção devem cantar o hino com orgulho e merecer representar o Irã”, completou.
A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Principal nome do Irã
Aos 31 anos, Azmoun é um dos nomes mais conhecidos do futebol iraniano, modalidade de grande apelo no país. O atacante construiu toda a carreira de clubes no exterior, com passagens por Zenit, Bayer Leverkusen e Roma, além de ter defendido o Irã nas Copas do Mundo de 2018 e 2022.
Um relatório não atribuído do canal Novad News informou ainda que foi emitida uma ordem para apreensão de bens de Azmoun, do também atacante da seleção baseado nos Emirados Mehdi Ghayedi e do ex-internacional Soroush Rafiei.
As declarações de Misaghi ocorreram enquanto eram exibidas imagens da recepção da seleção feminina iraniana em Teerã, após retorno da Austrália.
Sete integrantes da delegação pediram asilo no país depois de a equipe ser chamada de “traidora em tempos de guerra” pela TV estatal por não cantar o hino nacional antes de uma partida da Copa Asiática Feminina. Cinco delas decidiram retornar posteriormente ao Irã.
A seleção masculina iraniana tem amistosos programados em Antalya, na Turquia, contra Nigéria, no dia 27 de março, e diante da Costa Rica quatro dias depois, como parte da preparação para a Copa do Mundo.
Informações da CNN Brasil
Foto: Divulgação/Sardar Azmoun







